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Pharol confia no futuro da Oi e recusa falar em reestruturação da dívida

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A Pharol (antiga Portugal Telecom SGPS) vai pagar um dividendo de três cêntimos por ação a 9 de junho. Luís Palha da Silva recusa falar em renegociação da dívida da Oi, dizendo que há uma reestruturação em curso e vários cenários em estudo

Durou quase duas horas a Assembleia Geral (AG) da Pharol, realizada esta terça-feira em Lisboa. Todos os pontos foram aprovados por maioria de votos. Foi decidido manter os estatutos da Pharol inalterados, ou seja, nenhum acionista pode votar com mais de 10% dos direitos de voto, mantendo-se assim a blindagem existente.

Para já, a Oi não quer mexer nos estatutos da Pharol. E já fez saber que "não pretende renunciar aos direitos" que lhe foram conferidos no âmbito do contrato de compra e venda de ações, a 8 de setembro de 2014, que caíriam com a alteração dos estatutos. Não obstante, Luís Palha, presidente da Pharol, diz que o assunto não está encerrado. "Vamos continuar a conversar com a Oi para encontrar uma solução para a desblindagem dos estatutos", admitiu o gestor.

A Pharol vai distribuir um dividendo de três cêntimos por ação, confirmou Luís Palha da Silva, o presidente da empresa, à saída da AG, onde estiveram representados 42,51% dos direitos de voto. A remuneração relativa ao exercício de 2015 começará a ser paga, em princípio, a partir dia 9 de junho.

Luís Palha da Silva assegura que a Pharol, detentora indiretamente de cerca de 27,5% da Oi, mantém-se confiante em relação ao futuro da operadora brasileira e rejeita a ideia de que está em curso um renegociação da dívida com os credores. "Não se pode falar em renegociação (da dívida da Oi). Foi nomeado um consultor que já iniciou contatos com os credores. Mas não se pode dizer que há uma renegociação da dívida. As coisas estão a acontecer rápido, não podemos estar a dizer a cada momento o que está a acontecer", afirma Palha da Silva.

O gestor acrescenta ainda que o consultor da Oi tem vários cenários em estudo. "Não gostamos de palavras fortes como renegociação da dívida. O que o consultor está a fazer é tentar encontrar diferentes cenários de evolução do balanço da Oi, consoante as atitudes de cada stakeholder dentro da empresa, ou seja, obrigacionistas, acionistas e etc. É natural que todos os cenários estejam a ser discutidos", esclarece Luís Palha. As obrigações de retalho da Oi ascendeu a cerca de 26 mil milhões de reais. A Oi está a renegociar com a Moelis, o representante dos credores de retalho.

Luís Palha defendeu ainda que a "a Oi está a ser abalada nos seus resultados, mas não na sua capacidade de sobrevivência". Assegurou também que acredita que irá receber parte do prejuízo causado pelo buraco de 897 milhões de euros provocado pela Rioforte. "Temos ideia que uma parte será recebível. E também temos ações sobre pessoas responsáveis pelo prejuízo", no âmbito das quais são pedidas indemnizações. A Pharol colocou em tribunal ações contra Zeinal Bava, Henrique Granadeiro, Luís Pacheco de Melo, Amílcar Morais Pires e a Deloitte.