Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Moody's duvida que défice fique abaixo dos 3% este ano

  • 333

Agência de notação financeira não acredita que o Governo consiga alcançar as metas de consolidação orçamental previstas para 2016 e antecipa um défice de 3% este ano, acima dos 2,2% estimados pelo Governo

A agência de "rating" Moody’s não acredita que Portugal consiga cumprir a meta estabelecida de 2,2% para o défice orçamental, devido ao fraco crescimento da economia, antecipando um défice de 3%.

"A economia portuguesa continua a crescer muito mais moderada do que outros países da periferia como a vizinha Espanha. Por isso, o crescimento económico não vai dar grande apoio à consolidação orçamental planeada e à redução do elevado rácio de dívida pública", refere a agência de notação financeira numa nota divulgada aos seus clientes e a que o Expresso teve acesso.

A Moody's, que este mês manteve o “rating” de Portugal em Ba2, com uma perspetiva “estável”, sublinha que o crescimento permanece moderado depois de anos de reformas estruturais, “que não estão a mostrar resultados na forma de uma economia mais resistente e mais forte”.

Com a dívida pública em 129% do PIB (no final de 2015), "entre os mais elevados de todos os países classificados pela Moody's", a instituição prevê um declínio gradual deste rácio nos próximos anos, mas observa que esta correção dependerá da derrapagem orçamental e do crescimento económico. Ainda assim, espera que o rácio da dívida pública se mantenha acima dos 120% do PIB até ao final desta década.

Na mesma nota, a Moody's também destaca as "preocupações que persistem sobre as perspetivas para as finanças públicas de Portugal". Com previsões de crescimento mais baixas, a agência de rating estima um défice orçamental de 3% do PIB este ano (superior à meta de 2,2% prevista pelo Governo). No entanto, a agência acredita que este desvio deverá ser contido, "dado o intenso escrutínio do progresso orçamental de Portugal pela Comissão Europeia".

A Moodys's nota ainda que, "ao longo dos últimos anos, o desempenho orçamental de Portugal tem, de forma repetida, sido impactado negativamente pela injeção de dinheiro público em vários bancos". E o Governo poderá ainda ser chamado a colocar capital no sector este ano, nomeadamente no banco público, a CGD. Além das finanças do Estado e dos défices operacionais das empresas públicas, "a persistente fraqueza do sector bancário continua a ser um risco chave para a notação de crédito de Portugal", considera a agência.

Numa perspetiva positiva, a economia portuguesa tem visto melhorias nos seus indicadores de competitividade. As exportações pesam agora 43% do PIB, o que compara com 32% em 2010. Um excedente que, segundo a nota da Moody's, deverá manter-se.