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Jornalista António Costa diz que só ajudou a contextualizar a notícia da TVI

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Comentador da TVI garante que não participou na elaboração da notícia que antecipou o fecho do Banif, que não foi a fonte do rodapé avançado pela TVI24 e que não teve acesso a quaisquer documentos que serviram de base à produção da notícia original da estação. “Pediram-me para contextualizar e enquadrar a notícia na ‘25ª Hora’ com o comentário que tantas vezes faço”, disse na comissão de inquérito

O jornalista António Costa garantiu esta manhã que "foi só na qualidade de comentador" da TVI que participou na contextualização da notícia que a estação emitiu, na noite de 13 de dezembro, sobre a alegada iminente resolução do Banif .

Durante a sua audição na Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que conduziu à venda e resolução do Banco Internacional do Funchal (Banif), o antigo diretor do "Diário Económico" esclareceu que nessa noite de domingo estava na redação da TVI "por pura coincidência" e "por motivos pessoais", e que a sua participação se limitou à "contextualização da notícia" que estava a ser avançada pela TVI24 em rodapé.

"Estando de saída do evento particular onde estive presente na TVI, os editores informaram-me da notícia que já estava a passar em rodapé sobre a preparação do fecho do Banif. E pediram-me para contextualizar e enquadrar a noticia na '25ª Hora' com o comentário que tantas vezes faço", explicou, assumindo também que esse pedido lhe foi feito adicionalmente "por SMS" pelo diretor de Informação da estação, Sérgio Figueiredo.

Na sequência desses pedidos, António Costa diz que ficou na redação mas que se limitou a preparar o seu comentário. "Foi esse exatamente o contexto e o momento em que tive oportunidade de participar: contribuir para o esclarecimento ou enquadramento de uma notícia relevante à data para o Banif", disse aos deputados, antes de garantir que não fez o seu trabalho "na qualidade de jornalista ou para apurar notícias" e que não teve acesso a quaisquer dos documentos que serviram de base à produção da notícia original da TVI.

Sobre o facto de o antigo presidente do Banif, Jorge Tomé, ter disto nesta comissão que fora contactado por António Costa na qualidade de coordenador da notícia que estava a ser avançada pela TVI, António Costa garante que essa informação não corresponde à verdade.

"O Dr. Jorge Tomé disse que fui o coordenador da notícia, mas não fui. Tomo isso à conta de uma pessoa que não está numa redação. Eu não contactei o Dr Jorge Tomé para confirmar ou desmentir a informação. Esse trabalho era dos jornalistas da TVI. Eu contactei-o para perceber em que contexto é que o banco poderia funcionar face à iminência de uma resolução", explicou, enquadrando esta prática num hábito que tem na preparação dos seus comentários.

"Sempre que há notícias relevantes, sobretudo na área económica ou financeira, sou convidado pela TVI a participar para acrescentar valor às notícias. Foi só na qualidade de comentador que tive intervenção nesse processo. E quando há temas que exigem mais informações do que outros, faço alguns contactos. Quando me pediram para ajudar tive oportunidade de telefonar ao dr. Jorge Tomé. A minha preocupação foi saber como ia ser gerido o processo de resolução pelo Banif. Daí a razão da minha escolha de telefonar para ele", reiterou, garantindo que não partilhou informação noticiosa sobre esse telefonema com os jornalistas que estavam a produzir a notícia, mas que falou sobre o comentário que ia fazer no programa da TVI24 '25ª Hora'.

"Se os meus contactos tiveram influência na correção ou para a evolução da notícia que estava a passar em rodapé não lhe sei dizer", disse, defendendo que parte substancial da notícia avançada pela TVI se veio a confirmar ser verdadeira. "A TVI fez bem em corrigir uma informação que em matéria de facto estava errada, sobre os depositantes acima de 100 mil euros perderem os seus depósitos. Foi corrigido e bem", defendeu, antes de desvalorizar o impacto da notícia no posterior desfecho de venda e resolução do BANIF. "Os bancos normalmente caem por má avaliação de risco. Não caem por um rodapé".