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Cascais tem as casas mais caras do país

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João Carlos Santos

Na linha do Estoril os preços batem nos €12 mil por metro quadrado. Acima dos €9 mil da Avenida da Liberdade

Marisa Antunes

Jornalista

Os novos condomínios de luxo na zona de Cascais/Estoril têm as casas mais caras do país. Dados recolhidos pela consultora JLL referem que os preços podem atingir um máximo de €12.000 por metro quadrado.

Um valor acima do que se regista na Avenida da Liberdade, a segunda no ranking da habitação de luxo a nível nacional, com valores a variarem entre os €6000/m2 e os €9000/m2. A conclusão chega no mais recente relatório da consultora JLL a que foi dado o sugestivo nome de “Mercado Residencial — Dinâmica Inigualável” e onde foram analisadas as 12 zonas em alta, neste momento, ao nível de procura imobiliária.

Em comum, todas têm o perfil do segmento médio alto e alto como o alvo a atingir. Avenida da Liberdade, Chiado/Santa Catarina, Príncipe Real/São Bento, Zona Histórica (da Baixa à Alfama), zona Ribeirinha, Lapa/Estrela, Campo de Ourique/Amoreiras, Avenidas Novas, Colina de Santana, Restelo/Belém, Parque das Nações e Estoril/Cascais são os bairros analisados e onde se apurou que o preço por metro quadrado intervala entre os €3000 e os €12.000.

Na apresentação do estudo que decorreu esta semana, Pedro Lancastre, CEO da JLL Portugal, lembrou que Portugal está a passar por um “momento inigualável porque nunca houve tanta diversidade de compradores quer em termos de perfis quer em termos de origem”. Segundo o responsável, “só a JLL Cobertura vendeu casas a compradores oriundos de 24 nacionalidades”.

Patrícia Barão, responsável pelo departamento residencial, lembrou que este interesse dos estrangeiros vai manter-se em 2016, “principalmente nas regiões de Lisboa e Porto, o que permite um pipeline de projetos muito interessantes residenciais a serem lançados este ano, até porque os que foram lançados em anos anteriores já se encontram numa fase muito próxima de conclusão de vendas”.

“Não há bolha!”

Mas se é certo que o interesse dos estrangeiros (e dos portugueses com poder de compra) nos últimos três anos por Portugal está a revitalizar os bairros mais centrais da capital, estimulando a uma valorização significativa dos preços, tal não significa que o mercado esteja a passar por uma bolha imobiliária, garantem os responsáveis da JLL.

“Os imóveis nos centros das capitais sempre tiveram os preços mais elevados. É assim em todo o lado, seja em Lisboa, Londres ou Madrid. O que acontecia é que até há bem pouco tempo não existiam estes valores na capital porque não existia oferta sequer. Agora que passou a existir, o preço nivelou”, apontou Maria Empis, coordenadora do estudo e diretora do departamento de consultoria da JLL.

“Mas não há nenhuma bolha imobiliária em Lisboa”, resume Pedro Lancastre. “Existe um segmento que antes não existia, um mercado de luxo, casas com excelentes localizações e procura. Mas o mercado não está só inundado com imóveis de €9000/m2. Basta andar duas ou três estações de metro para perceber isso: os preços da Av. da Liberdade não são os mesmos do Rato, por exemplo”.

De facto, no último “Portuguese Housing Market Survey” de abril, produzido pela Confidencial Imobiliário, especializada em informação para o sector, aponta-se para os próximos 12 meses, uma subida entre 2% a 3% no preço das casas para os três principais mercados habitacionais do país, uma análise que abrange imóveis de todos os segmentos: assim, à cabeça surge Lisboa com 2,9%, seguindo-se o Algarve (2,7%) e o Porto (2%). Em termos médios nacionais, a subida esperada é de 2,5% nos próximos 12 meses.

E onde compram os portugueses?

Ainda segundo o estudo da JLL, são as zonas centrais e históricas da av. da Liberdade, Chiado, Baixa/Zona Histórica e Príncipe Real as que registam uma maior procura internacional. Já “a crescente e renovada procura tem também levado à reanimação da oferta noutras zonas típicas de Lisboa e em áreas recentes de expansão urbana, com o público nacional a predominar”, refere-se ainda. “São os casos de Lapa/Estrela, Campo de Ourique/Amoreiras, Avenidas Novas, Colina de Santana, Restelo/Belém e Parque das Nações, onde a motivação da compra é sobretudo a aquisição de habitação própria e permanente, com o segmento de famílias a predominar.” Nestas zonas, os preços máximos variam entre €3000 e €6000/m2.

Das restantes zonas analisadas pela JLL, apenas a Zona Ribeirinha, com valores máximos entre €4000 e €5500/m2, apresenta maior propensão para os compradores internacionais, novamente motivados pela colocação de apartamentos em regime de alojamento turístico. Em complemento a Lisboa, o estudo da JLL destaca ainda a linha Estoril/Cascais, que exerce forte atratividade quer sobre nacionais quer sobre estrangeiros e onde a compra de casa para habitação própria se mantém dominante, com os valores prime mais elevados da região de Lisboa, nomeadamente de €5000 a €12.000/m2.