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Ongoing: dono do “Diário de S. Paulo” negoceia compra de jornais da Ejesa

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Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing

Nuno Botelho

Mário Cuesta já se reuniu com Nuno Vasconcellos e visitou as redações de “O Dia” e “Meia-Hora” no Rio de Janeiro, diz a imprensa brasileira. Dívidas com funcionários, fornecedores e impostos, superiores a 62 milhões de euros, complicam o negócio

O empresário Mário Cuesta, dono do "Diário de S. Paulo", está a negociar a compra dos jornais brasileiros "O Dia" e "Meia-Hora", do grupo Ejesa, controlado pela Ongloing (30%) e por Maria Alexandra Mascarenhas, mulher de Nuno Vasconcellos (70%).

A notícia, da "Época" online, refere que Mário Cuesta visitou esta qrarta-feira as redações dos dois jornais, no Rio de Janeiro, depois de um encontro com o casal de empresários.

"O nó das negociações está em torno das dívidas da Ejesa com funcionários, fornecedores e impostos, que somam mais de 250 milhões de reais (62,6 milhões de euros)", diz o jornalista Nonato Viegas, referindo que uma das primeiras medidas que Cuesta terá de tomar no caso de comprar os dois jornais é pagar parte dos salários em atraso.

Em 2015, Mário Cuesta já tinha comprado a participação da Ejesa no portal IG.

Apesar dos problemas do grupo Ongoing em Portugal, o empresário Nuno Vasconcellos parecia decidido a continuar os negócios no Brasil, com os jornais "O Dia", "Meia-Hora" e "Brasil Económico". No entanto, logo em julho de 2015, foi anunciado o encerramento deste último diário, lançado em 2009.

Sobre os jornais que entram agora no radar do "Diário de S. Paulo", a imprensa brasileira também já tinha referido que estavam à venda, disponíveis para quem quisesse assumir a dívida de 250 milhões de reais, mais um real.

Em Portugal, como o Expresso noticiou no início do mês, a lista provisória de créditos reclamados à Ongoing Strategy Investments, a holding do grupo Ongoing, liderado por Nuno Vasconcellos, que avançou em março com um pedido especial de recuperação (PER) e agregava os investimentos em sectores como as telecomunicações, media, tecnologia, serviços financeiros ou imobiliário, supera os 1,2 mil milhões de euros. Deste valor, mais de 970 milhões referem-se à banca.

A Insight Strategic Investments SGPS, do mesmo grupo, também avançou com um pedido de PER no início de março, tal como a editora S.T. & S.F., através da qual o grupo explorava o "Diário Económico". A administração desta empresa solicitou, entretanto, a substituição do PER por um pedido de insolvência, por entender ser esse "o quadro legal que melhor protege os interesses do trabalhadores", que acumulavam já vários meses de ordenados em atraso e, a 18 de março, fizeram chegar às bancas a última edição em papel da marca, que continua ativa online e no canal ETV.