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Caso Banif: diretor da TVI não diz se partes envolvidas foram ouvidas antes de notícia ir para o ar

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Luís Barra

Sérgio Figueiredo insiste em dizer que a noticia foi divulgada com base em fontes anónimas e documentais, mas não sabe se as partes envolvidas foram contactadas antes de sair a primeira noticia às 22:18 de dia 13 de dezembro

O diretor da estação de Queluz diz que não tendo sido ele o agente da notícia - coordenou-a à distância - foi "cumprido" o código deontológico dos jornalistas. Disse-o em resposta à deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua.

A deputada quis saber se a TVI contactou as partes envolvidas - Banco de Portugal, Governo e Banif - sobre o teor da primeira notícia de rodapé, a qual dizia: "TVI apurou que está tudo preparado para o fecho do banco". O deputado do CDS João Almeida insistiu depois na mesma questão.

Sérgio Figueiredo não respondeu, repetindo o que já havia dito. A notícia foi feita com base "em fontes anónimas e documentais, e quando nós entendemos que podíamos divulgar, avançámos. Porque sim". Mas o diretor da TVI não abre o jogo sobre se as referidas entidades foram contactadas antes de a notícia ir para o ar.

João de Almeida foi mais longe ao afirmar que todas as entidades que passaram pela comissão parlamentar de inquérito - desde o governador do Banco de Portugal ao ministro das Finanças, Mário Centeno, e também o ex-presidente do Banif Jorge Tomé e o presidente do Fundo de Resolução - disseram que não tinham sido ouvidos pela TVI antes de a noticia ser publicada. Sérgio Figueiredo respondeu: "A notícia não foi inventada, não caiu do céu. Não foi a TVI que determinou prazos, nem quem decidiu a solução a adotar".

Em resposta a Mariana Mortágua, o diretor da TVI voltou a dizer que a notícia "foi sendo atualizada e corrigida a partir do momento em que foi para o ar". "A responsabilidade é minha. Não posso nem devo dizer com quem falámos ou o que foi falado". No entanto, Sérgio Figueiredo assegura que houve contactos "antes, durante e depois, seguramente todas as partes foram confrontadas na noite de domingo ao longo do processo de informação", mas "não sei quem foi antes ou depois".

Mariana Mortágua insistiu na questão, mas não conseguiu arrancar uma resposta direta. A deputada não entende como é que se lança uma notícia antes de a confirmar, em particular uma notícia desta sensibilidade.

A perda dos depósitos

A deputada bloquista questionou ainda Sérgio Figueiredo sobre de onde veio a informação para a segunda notícia da TVI, que dizia: "Depositantes acima de €100 mil perdem depósitos". Sérgio Figueiredo mantém o discurso: "Veio de várias fontes documentais e avançámos. Foram fontes idóneas e credíveis". Mas mais uma vez não diz de onde veio a informação. O diretor da TVI admite apenas que a redação terá feito uma interpertação errada da lei bancária.

O deputado do CDS João Almeida repega no tema e acaba por concluir que afinal " tanto os depositantes que ficaram no Banif como os que retiraram dinheiro (por causa da notícia da TVI) ficaram protegidos. Quem não ficou protegido foram os contribuintes".