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Portugal saiu “do radar” de alerta europeu

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Quem o diz é Guntram Wolff, presidente do Bruegel – um think tank europeu virado para os assuntos económicos –, que no entanto alerta para os problemas existentes no sector bancário

“Visto daqui [de Bruxelas], Portugal já não é um problema. Em termos gerais está fora do radar, com a exceção dos problemas bancários”, diz Guntram Wolff, presidente do Bruegel, um think tank europeu virado para os assuntos económicos.

Numa entrevista ao “Jornal de Negócios” desta terça-feira, o banqueiro diz-se surpreendido com os casos BES e Banif, opõe-se à aplicação de multas a Portugal por parte da Comissão Europeia, mas defende que as regras são para cumprir.

“Nunca acreditei nas multas. Acredito sim na pressão entre pares no Eurogrupo. A Comissão deve fazer uma análise clara e eu não me importaria que propusesse multas, e que depois o Eurogrupo, após uma discussão dura, as rejeitasse. As sanções não são uma forma de enquadrar as discussões entre Estados. Deveria haver sinais claros para Portugal”, afirmou.

Guntram Wolff diz que “uma união monetária necessita de uma união bancária”. E a que existe “é ainda incompleta e inconsistente.” “A supervisão tornou-se europeia, mas as implicações orçamentais são ainda suportadas nacionalmente”, refere a título de exemplo.

Para o presidente do Bruegel, a troika subestimou os problemas da economia portuguesa. Pelos menos, é isso que sugerem os casos BES e Banif. “O que sugere é que o programa de ajustamento foi insuficiente e não foi duro o suficiente a lidar com este problema”, diz.