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Carlos Costa diz que saneamento da banca ainda vai a “meio do caminho”

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José Carlos Carvalho

Governador do Banco de Portugal realça o “grande esforço” feito nos últimos anos pelas instituições financeiras portuguesas

O governador do Banco de Portugal considera que o processo de reestruturação da banca ainda "está a meio do caminho", mas realça o "grande esforço" feito nos últimos anos pelas instituições financeiras portuguesas

"O presente é muito diferente do que tínhamos em 2010, embora ainda não estejamos no fim do caminho. Estamos a meio do caminho", referiu esta manhã Carlos Costa durante a conferência "O presente e o futuro do sector bancário", organizada pela Associação Portuguesa de Bancos (APB) e pela TVI24, em Lisboa.

O supervisor vincou que o processo de saneamento da banca em Portugal foi feito de uma forma "gradual", lamentando que o país não tivesse tido a capacidade de criar um 'banco mau' para acomodar os ativos problemáticos da banca há seis anos, a exemplo do que aconteceu na Irlanda e em Espanha.

"Tivéssemos nós margem de acomodação em termos de dívida pública para fazer uma transferência de ativos para um veículo", sublinhou, apontando para os exemplos irlandês e espanhol, em que a criação de esse 'banco mau' permitiu resolver de uma assentada a maior parte dos problemas das instituições, mas com forte impacto na dívida pública.

"Na Irlanda e em Espanha houve um significativo aumento da dívida pública. No nosso caso, não havia capacidade para fazê-lo", assinalou.

"Como era incompatível com a trajetória da dívida pública portuguesa, a via seguida foi a resolução de problemas de forma gradual", frisou o governador.

E destacou: "Os bancos portugueses tiveram um caminho das pedras e o Banco de Portugal também".

De qualquer forma, segundo o líder do Banco de Portugal, graças ao "grande esforço" feito nos últimos seis anos, "o sistema bancário está mais bem capitalizado".

Carlos Costa apontou para a redução dos custos, para o reforço do provisionamento e para a evolução positiva do rácio de créditos sobre depósitos para ilustrar a melhoria da solidez dos bancos portugueses.

"Mas há muito trabalho pela frente", salientou, dizendo que o principal desafio para o setor é recuperar a rentabilidade.
"A rentabilidade que tem que gerar capital e atrair capital para resolver problemas pendentes", sublinhou, considerando necessário proceder à "alienação de ativos que penalizam a rentabilidade dos bancos" e ter "capacidade de resposta aos desafios do novo quadro europeu".