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Portugueses voltam a comprar casas de luxo

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45 em cada 100 casas vendidas pela Sotheby's vão para clientes nacionais

Marisa Antunes

Jornalista

A Sotheby's em Portugal, liderada por Gustavo Soares, é a melhor da Europa dentro do universo Sotheby's

A Sotheby's em Portugal, liderada por Gustavo Soares, é a melhor da Europa dentro do universo Sotheby's

Tiago Miranda

Os portugueses voltaram a comprar casas de luxo depois dos anos mais contidos da crise: nos primeiros três meses de 2016, a Sotheby’s International Realty (SIR) vendeu cerca de 100 casas, com um valor médio de venda na ordem dos 800 mil euros. 45% destes imóveis foram vendidos a nacionais e os restantes a estrangeiros de diversos países. O percentual atribuído a clientes portugueses duplicou quando comparado com o ano de 2012.

“O clima de confiança está a contribuir para este retorno dos clientes nacionais. Se recuarmos aos anos mais problemáticos que o mercado imobiliário enfrentou recentemente, eles não representavam mais do que 20 a 25% da nossa faturação”, diz Gustavo Soares, CEO da Sotheby’s em Portugal, empresa imobiliária especializada no segmento de luxo.

Com quatro escritórios em Lisboa, dois no Algarve e um no Porto, é este último que ‘tem a base mais significativa de clientes nacionais’.

Com um volume de transações nestes primeiros três meses na ordem dos €80 milhões (mais 32% que no período homólogo de 2015), a Sotheby’s portuguesa está a dar cartas a nível internacional dentro do grupo que está representado em 61 países (e em 800 agências).

Em 2015, a Sotheby’s portuguesa entrou mesmo para o top 3 desta multinacional — braço imobiliário da famosa leiloeira inglesa Sotheby’s —, depois dos Estados Unidos e do Canadá.

“No ano passado vendemos cerca de 300 imóveis, num volume de transações superior a €260 milhões. Foi um crescimento de 81% em relação a 2014”, especifica Gustavo Soares. Resultados que justificaram a visita recente de Michael Valdés, vice-presidente do grupo, na segunda convenção anual da Sotheby’s que se realizou há pouco mais de uma semana em Lisboa.

Lembrando que Portugal além de ser o terceiro melhor da marca a nível mundial, é também o primeiro a nível europeu (onde concorre com países fortes no turismo residencial como Espanha e Itália), Michael Valdés destacou o modelo de negócios da filial portuguesa como um dos principais motores de crescimento. “A SIR portuguesa gere as suas operações de uma forma incrivelmente disciplinada, da mesma forma como um banco de investimento em que cada pessoa é responsável pelo seu sucesso e consequentemente pelo sucesso de toda a organização”.

A filial portuguesa tem atualmente 3000 imóveis na base de dados, num universo de 35 mil que o grupo possui em carteira em todo o mundo. E com valores de venda por casa superiores à média global do grupo: 800 mil versus 720 mil euros.

Os estrangeiros representam 55% da faturação da Sotheby’s Portugal. “Os franceses têm neste momento um grande impacto na nossa faturação e os ingleses continuam a contar muito para as nossas agências no Algarve (Vilamoura e Carvoeiro). Os brasileiros surgem em terceiro lugar neste grupo dos estrangeiros”, aponta o CEO da Sotheby’s em Portugal.

Escritórios de luxo

Com o regresso dos nacionais e o interesse dos estrangeiros a consolidar-se, a empresa prepara-se para multiplicar o número das suas filiais. A convenção serviu também como mote de lançamento para a segunda fase de expansão da marca que será implementada durante os próximos dois anos com a abertura de cinco novos escritórios em território nacional. “Até ao final do ano vamos abrir na Madeira.

Depois queremos uma segunda loja no Porto, uma em Sintra e dois no Algarve.” Os novos escritórios vão seguir a mesma lógica arquitetónica dos anteriores: projetos de raiz ou reabilitações assinadas por arquitetos conceituados (onde se conta, por exemplo, Eduardo Souto Moura ou Graça Correia /Ragazzi) que criem espaços nivelados com o poder de compra dos clientes da Sotheby’s.