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Mulheres chegam ao topo... mas devagar

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Leonardo Mathias, ex-secretário de estado da Economia, e António Coimbra, presidente da Vodafone Espanha, com as respetivas filhas Maria e Mariana

Nuno Botelho

Novas gerações acreditam que alcançar a liderança é uma questão de empenho. Quotas não são consensuais

Serão precisos mais 80 anos para que a igualdade de género seja uma realidade no mundo, bem menos do que os 10 anos que a inteligência artificial demorará a atingir o nível da inteligência humana. A comparação foi feita por Leonardo Mathias, ex-secretário de Estado-adjunto da Economia, para exemplificar o muito que falta para que mulheres e homens tenham igualdade de oportunidades a todos os níveis no emprego. O tema é fraturante e nem sempre gera consensos.

Isso é evidente quando numa sala estão a debater o tema, a convite da consultora Egon Zehnder, alguns dos mais relevantes líderes portugueses e as suas filhas, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, metade já no mercado de trabalho. Polémicas à parte, a verdade é que esta nova geração de mulheres não parece muito preocupada com diferença de géneros na progressão da carreira, e acredita que chegará ao topo se trabalhar para isso. Paulo Simões, sócio da Egon Zehnder em Portugal, admite que o resultado seria diferente se o debate se fizesse com mulheres entre os 35 e 40 anos. Estas filhas de líderes estão na primeira metade da carreira e nestas idades são mais ambiciosas e maduras que os homens e estão mais bem posicionadas, sublinha. “O tema coloca-se mais tarde, no chamado middle management, a antecâmara da liderança de topo. Aí existe uma diferença significativa e não vale a pena escamotear, há muito mais homens do que mulheres”, esclarece.


O caminho faz-se caminhando. Paulo Simões defende que tem havido um expressivo progresso na Europa, como demonstra o estudo da consultora feito em 2014, onde foram analisados mil conselhos de administração mundiais. Havia mais de 20% mulheres na administração das grandes empresas europeias em 2014, um salto gigantesco face aos 8% de 2004. E a tendência é de subida. Simões considera que é preciso trabalhar as questões culturais e usar instrumentos para nivelar a igualdade, como por exemplo, a flexibilidade de horários ou a equiparação da paternidade à maternidade.


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