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Indústria do tabaco enfrenta tratamento de choque

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Estas são algumas das imagens e mensagens que vão constar nos maços de tabaco, a partir da próxima sexta-feira

D.R.

Maços de cigarros vão ter imagens chocantes a partir do dia 20

A partir da próxima sexta-feira, dia 20 de maio, o sector do tabaco vai enfrentar novo desafio, com a transposição da diretiva europeia que obriga os Estados-membros a introduzirem imagens chocantes nas embalagens de produtos de tabaco, incluindo doentes de cancro em fase terminal, pulmões e línguas com tumores malignos ou mesmo caixões — e que deverão ocupar, incluindo texto, 65% das faces dianteira e traseira do maço de cigarros e pacotes de tabaco de enrolar. Nelas, terão também de constar duas advertências: “Fumar mata — deixe já” e “O fumo do tabaco contém mais de 70 substâncias causadoras de cancro”. A venda dos novos maços arranca na sexta-feira, mas o Governo estabeleceu o prazo de um ano para escoar as embalagens antigas. No mesmo dia, entra em funcionamento a Linha Saúde 24 de cessação tabágica.

Estas medidas já eram esperadas desde o ano passado, depois de a nova lei do tabaco ter sido publicada em agosto de 2015 em “Diário da República”, tendo entrado em vigor no início de 2016. E vêm reforçar aquilo que os agentes deste sector apelidam de “hiper-regulação”. De acordo com Tiago Souza D’Alte, responsável pelas relações corporativas da Imperial Tobacco Portugal (que comercializa marcas como John Player Special ou Davidoff), este tipo de práticas, aliadas ao “aumento constante” da tributação sobre estes produtos podem levar à alteração de comportamentos — nem sempre estes são os mais desejáveis. “Se é verdade que algumas pessoas deixam de fumar, outras passam para o mercado paralelo, onde não são confrontadas com imagens ou com os aumentos de preço. Assim, aumenta o comércio ilícito do tabaco, que tem registado uma implantação maior do que poderíamos supor”, sublinha, apontando para o exemplo daquela que, em janeiro, se apresentou como a maior apreensão de sempre na Europa de tabaco de enrolar ilícito: 182 toneladas de tabaco, o equivalente, referiu a GNR na altura, a mais de €30 milhões de impostos não pagos. A rede de produção e venda ilegal de tabaco estava implantada em todo o país, também de acordo com as autoridades.


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