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Dívida. Prémio de risco de Grécia e Portugal em queda

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Os juros das Obrigações helénicas e portuguesas recuaram esta semana. O risco dos dois países desceu enquanto subiu nos outros periféricos do euro. Portugal reabriu linha de 10 anos e Espanha colocou pela segunda vez obrigações a 50 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

O prémio de risco da dívida grega e portuguesa desceu durante a segunda semana de maio. As yields das obrigações helénicas e das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, caíram no mercado secundário. No caso grego, regressaram a níveis do final de novembro de 2015, então, os mais baixos desde o final de um ano antes. Para as OT, as yields desceram para níveis de início de maio.

As yields das OT a 10 anos descerem 18 pontos base durante a semana fechando em 3,14%. O prémio de risco da dívida portuguesa caiu para 301 pontos base, um diferencial de mais de 3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Comparativamente ao prémio de risco das dívidas espanhola e italiana é mais do dobro e face ao risco irlandês é quase cinco vezes superior. As yields das OT a 10 anos estão ainda 80 pontos base (0,8 pontos percentuais) acima do nível que registavam a 1 de outubro do ano passado, antes das eleições legislativas de 4 de outubro. Registaram um pico acima de 4% a 11 de fevereiro, o momento de maior stresse este ano. O Tesouro português regressou esta semana ao mercado de emissão de dívida obrigacionista reabrindo a linha de OT que vence em 2026 colocando 1150 milhões de euros e pagando uma taxa de 3,252%, um pouco acima da verificada na operação similar anterior em março (3,138%). Na próxima semana, a 18 de maio, se saberá se a Comissão Europeia opta por sancionar Espanha e Portugal por défice excessivo em 2015.

No caso das obrigações helénicas no prazo de referência, as yields desceram mais de 1 ponto percentual numa semana. Fecharam na sexta-feira em 7,42%, uma queda de 109 pontos base (100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual) em relação ao encerramento no dia 6 de maio. O prémio de risco da dívida grega desceu mais de 100 pontos base, e situa-se, agora, em 730,2, um diferencial de mais de 7,3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos. As yields destas obrigações estão em queda desde 2 de maio quando se situavam em 9%, fruto da expetativa positiva em relação a um acordo na reunião do Eurogrupo (órgão dos 19 ministros das Finanças da zona euro) a realizar a 24 de maio. Atenas espera o desembolso por parte dos fundos de resgate europeus de uma soma entre 9 e 11 mil milhões de euros, segundo revelou fonte europeia ao jornal grego Kathimerini.

As descidas do prémio de risco da Grécia e Portugal contrastaram, esta semana, com as subidas nos casos de Espanha, Irlanda e Itália, que registaram aumentos de quatro, um e três pontos base respetivamente. A Irlanda continua a registar o mais baixo prémio de risco entre os periféricos do euro, com um diferencial de apenas 0,7 pontos percentuais (pp) em relação do custo de financiamento da dívida alemã. O diferencial no caso de Espanha está em 1,49 pp e no caso de Itália em 1,4 pp. Apesar da ameaça de sanções por défice excessivo em 2015 (em 5,1% do PIB) e da convocação da repetição de eleições legislativas a 26 de junho com uma perspetiva incerta sobre a solução governativa que poderá advir dos resultados, o Tesouro espanhol lançou esta semana uma segunda operação sindicada de colocação de uma linha obrigacionista a 50 anos, emitindo 3000 milhões de euros registando uma procura três vezes superior.