Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Taxa de desemprego sobe para 12,4%

  • 333

Marcos Borga

A taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2016 subiu 0,2 pontos percentuais face ao último trimestre de 2015, mas caiu 1,3 pontos percentuais face a período homólogo do ano passado. Há 640,2 mil pessoas desempregadas, segundo os dados que o INE publica esta quarta-feira

A taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2016 fixou-se em 12,4%, um aumento de 0,2 pontos percentuais face aos últimos três meses de 2015. Reforça-se assim a tendência de aumento do desemprego, visto que no último trimestre do ano passado a taxa já havia registado um aumento de 0,3 pontos percentuais face ao segundo e terceiro trimestre de 2015, quando o indicador atingiu o mínimo (11,9%) desta série do Instituto Nacional de Estatística (INE), iniciada em 2011.

De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo INE, a população desempregada situa-se agora nas 640,2 mil pessoas, um aumento de 1% face ao trimestre anterior. Em relação ao trimestre homólogo de 2015, a população no desemprego diminuiu 10,2% (72,7 mil pessoas), “prolongando o ciclo de decréscimo homólogos iniciado no terceiro trimestre de 2013”, avança o Inquérito ao Emprego.

Apesar desta tendência de aumento, a taxa de desemprego jovem (dos 15 aos 24 anos) desceu. Situa-se agora nos 31%, menos 1,2 pontos percentuais do que no último trimestre de 2015. Esta descida é ainda mais expressiva quando comparada com o período homólogo do ano passado: entre janeiro e março de 2015, a taxa de desemprego jovem fixou-se nos 34,4%.

Da mesma forma, a taxa de desemprego de longa duração também caiu 0,2 pontos percentuais face ao último trimestre de 2015, fixando-se agora em 7,4%. No trimestre homólogo, estava nos 8,9%. Ou seja, num espaço de um ano, a taxa de desemprego de longa duração caiu 1,5 pontos percentuais.

Embora a taxa de desemprego tenha aumentando para os homens (0,4 pontos percentuais), a taxa de desemprego masculino foi idêntica à das mulheres (12,4%).

Analisando o desemprego por regiões, percebe-se que Lisboa é a grande responsável pelo aumento do desemprego, com a taxa a disparar de 12,5% para 13,7% num espaço de três meses. No Centro, também se registam mais desempregados, mas a subida é menos acentuada, mantendo-se esta aliás como a região que tem a taxa mais baixa do país (subindo dos 9% para 9,3%).

Com exceção destas duas regiões, todas as outras registaram recuos no desemprego. No Norte, o desemprego caiu de 13,5% para 13,2%, no Alentejo passou dos 13,3% para 12,6%, no Açores desceu de 12,6% para 12,4% e, na Madeira, recuou dos 14,7% para 14,3%

População empregada volta a diminuir

Quanto à população empregada, estimada em 4513,3 mil pessoas, voltou a diminuir comparando com o último trimestre de 2015: caiu 1,1%, menos 48,2 mil pessoas. Segundo o INE, esta diminuição “ocorre habitualmente no primeiro trimestre de cada ano”, mas desta vez “foi superior às observadas nos primeiros trimestres de 2014 e 2015”.

A taxa de atividade da população em idade ativa situou-se em 58,1%, menos 05 pontos percentuais do que no último trimestre de 2015, mas mais 0,4 pontos do que nos três primeiros meses do ano passado.

Do quarto trimestre de 2015 para o primeiro trimestre de 2016, o número de pessoas que transitaram do emprego para o desemprego foi de 121,4 mil. E foram 182,6 mil pessoas as que transitaram do emprego para a inatividade. Assim, o total de pessoas que deixaram de estar empregadas, no espaço de um trimestre foi de 304 mil.

No sentido contrário, as entradas no emprego provenientes do desemprego foram estimadas em 126,0 mil pessoas e as provenientes da inatividade em 129,7 mil. Desta forma, o total de pessoas que transitaram para o emprego, num trimestre, foi de 255,7 mil. Ou seja, entre os dois últimos trimestres, registou-se um fluxo líquido negativo do emprego de 48,2 mil pessoas.

Já o fluxo do desemprego foi positivo e estimado em 6,3 mil pessoas, já que o facto do total das entradas (243,3 mil) ter sido superior ao total de saídas (236,9 mil). De acordo com o INE, o aumento trimestral do desemprego, ficou a dever-se ao número de inativos que passaram para o desemprego (10,9 mil), “que mais do que compensou” o número de empregados que passaram para o desemprego.

Aumento do desemprego confirma desaceleração da atividade económica

Estes números do desemprego espelham uma realidade que os analistas já anteviam. Ontem, terça-feira, à Lusa, os bancos BPI e Montepio coincidiam com a previsão de subida da taxa de desemprego em 0,2 pontos percentuais, em 12,4%, neste primeiro trimestre de 2016, o que se veio a confirmar. Segundo a economista-chefe do BPI, Paulo Carvalho, “este ligeiro agravamento da taxa de desemprego em termos trimestrais ocorre em linha com a tendência de ligeira desaceleração da atividade económica”.