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Pagar ao Estado a pensar no Novo Banco

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BCP olha para o Novo Banco mas não sabe se pode ir a jogo. Quer devolver €250 milhões ao Estado e atrair investidores

O presidente do BCP defende com unhas e dentes a manutenção de um grande banco privado português e está empenhado em criar condições para evitar que o Novo Banco seja entregue a um banco estrangeiro “por tuta e meia” como aconteceu com o Banif.

Resta saber quanto vale o Novo Banco para o BCP. E se, a ter as autorizações necessárias da Comissão Europeia (CE) e do Banco Central Europeu (BCE), tem capacidade para estar na corrida sem fazer um aumento de capital. Além disso, é preciso ver se os acionistas de referência estão dispostos a aceitar esta investida. Quanto a este tema, Nuno Amado nada diz. Segundo apurou o Expresso, o conselho de administração do BCP admite ir a jogo mas não é líquido que todos os acionistas queiram que a compra se efetive, mesmo num cenário de venda barata e se Bruxelas e Frankfurt derem luz verde. Nuno Amado diz que “é fundamental para o sistema e para a economia que haja um maior número possível de concorrentes”, e “o BCP, se puder, estará lá”.

Para isso terão se ser ultrapassados vários constrangimentos. Terá de haver, como explicou o presidente do BCP, “uma negociação entre o Estado português e a Comissão Europeia, porque o banco tem uma proibição de aquisição por causa dos CoCos (obrigações convertíveis)”. Contudo, ressalva: “Esta inibição pode ser levantada em circunstâncias excecionais”, o que revela que o BCP já terá feito algum trabalho de campo nesta matéria. “Temos de ser diligentes e analisar os vários cenários”, remata o presidente do banco.

Na verdade, segundo apurou o Expresso, a investida do BCP parte do pressuposto de que o Novo Banco poderá ser vendido a um preço baixo, e só nesse contexto poderia haver interesse em avançar. Mas também ninguém ainda se atravessou a dizer qual o valor justo do Novo Banco, que seja aceitável para o vendedor, o Fundo de Resolução. Que haverá um desconto, não há dúvida.

Importa não esquecer que o BCP e a CGD são os principais contribuintes do Fundo de Resolução, onde está o Novo Banco, e também por isso o BCP fará contas.
Num cenário de concentração da banca portuguesa, deve ser dado espaço para que “pelo menos um banco privado português possa concorrer ao Novo Banco”, referiu Nuno Amado na apresentação de contas do primeiro trimestre. Para isso já terá sensibilizado Bruxelas, nomeadamente a Direção-Geral da Concorrência (DG Comp), a este propósito. “Já dei a mensagem a quem tinha de dar”.

O caminho, como diz Amado, faz-se caminhando e por isso, depois de fechada a fusão da operação do Millennium Angola com o angolano Privado Atlântico (ver texto em baixo), vai pedir autorização para reembolsar um terço dos €750 milhões do empréstimo feito ao Estado em 2012, ou seja, €250 milhões. Em 2012, o BCP obteve um empréstimo de €3 mil milhões para se capitalizar e já pagou €2250 milhões. Se o pagamento desta tranche for autorizado, fica a dever €500 milhões. Nuno Amado não esclarece se tem condições para pagar o restante até ao final do ano, mas o Expresso sabe que a entrada de novos investidores pode ajudar a antecipar o pagamentos dos CoCos.

A forma como o BCP pode tentar adquirir o Novo Banco depende do figurino que vier a ser definido pelo Fundo de Resolução e isso só deverá acontecer no final de junho. O BCP pode avançar sozinho, um cenário mais remoto, ou através de um acionista que compre ou tome uma posição relevante no Novo Banco, fundindo depois essa posição no banco liderado por Nuno Amado. Depende se o banco for vendido em bolsa ou por venda direta. O que já se sabe é que no âmbito do caderno de encargos do processo de venda o preço continua a ser o principal fator de decisão. Quem der mais fica com o antigo BES.