Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Padaria Portuguesa investe €20 milhões

  • 333

Nuno Carvalho, sócio e diretor-geral, na obra da nova loja no Príncipe Real, em Lisboa

Tiago Miranda

Fábrica em Marvila e mais 30 lojas são alguns dos projetos a três anos

A denominação remete para a venda de pães e bolos numa loja de bairro, mas o negócio de A Padaria Portuguesa há muito que extravasou para outro tipo de produtos e localizações. Nos próximos três anos quer dar passos maiores: abrir uma fábrica em Marvila e 30 novas lojas, bem como reabilitar algumas das 40 lojas que detém atualmente, num investimento de €20 milhões.

A loja número 40 abre na próxima sexta-feira, dia 13, na rua D. Pedro V (Príncipe Real, Lisboa), e é a primeira que sai da formatação habitual para ser personalizada pela arquiteta e artista plástica Joana Astolfi, responsável pela conceção das montras da loja da Hermès no Chiado, entre outros projetos. Para Nuno Carvalho, sócio e diretor-geral de A Padaria Portuguesa, esta abertura tem um sabor especial. Significa que o objetivo traçado em 2014 para ser atingido em 2017 (de ter mais 20 lojas e uma faturação de €20 milhões) cumpriu-se um ano antes, em 2016.

“Apareceram boas oportunidades de mercado, temos uma equipa bem oleada e capacidade financeira”, justifica Nuno Carvalho, argumentando que a cadeia de restauração que gere continua a ter procura de clientes locais e não só dos turistas. “Crescemos significativamente no like-for-like (volume de negócios sem contar com novas lojas que não existiam no ano anterior) e as lojas de turismo [localizadas em zonas turísticas] cresceram ligeiramente acima da média”, explica, avançando que o maior crescimento foi o do consumidor português.

O responsável da A Padaria Portuguesa divide o negócio em três áreas: lojas de bairro (que vivem dos clientes da comunidade), lojas de serviços (em zonas de escritórios) e lojas de turismo (em localizações com tráfego de estrangeiros). Nuno Carvalho reconhece que é nestas últimas lojas que o gasto médio por cliente é superior.

Descer IVA é premiar luxo

Se a crise (e consequente diminuição do consumo interno) não afeta o negócio, o mesmo se passa com o IVA a 23%. “Quando começámos, o IVA estava a 13%, depois passou para 21% e depois para 23%, mas isso nunca foi um obstáculo, nem vejo motivo para que o IVA seja mais baixo na restauração. É estar a premiar com uma taxa mais baixa produtos que são um luxo, como é comer fora de casa”, sustenta.

Nuno Carvalho explica que a primeira loja foi inaugurada num momento de grande retração, em novembro de 2010. “As famílias de classe média, com um rendimento de €1000 a €1200, não têm possibilidade de ir comer fora, mas definham se não comerem pelo menos um pastel de nata com um café. Para os reformados é uma forma de encontrarem outras pessoas”, sustenta o responsável, para justificar a recetividade do conceito.

Nuno Carvalho reconhece que, apesar dos resultados positivos, o negócio que dirige não cresce no segmento da restauração (menus de saladas, sopas e sanduíches) — que é também o mais afetado pela diminuição do consumo —, sendo a padaria e os bolos o que tem mais saída. Não é de estranhar, por isso, que o menu de pequeno-almoço (sumo, sanduíche/croissant e café) seja o produto com mais capacidade de fidelização, representando um terço das vendas desta cadeia de lojas, enquanto o pão de deus é o artigo mais vendido individualmente.

Outra das formas de crescimento previstas é o desenvolvimento de novos negócios, nomeadamente através da marca própria A Padaria Portuguesa. Água engarrafada, bolos secos, batatas fritas, chocolates, compotas e frutos secos são os produtos que neste momento são vendidos em embalagens com esta marca de restauração e que no final de 2016 deverão representar 3% das vendas.

Até agora, esta linha de artigos só estava à venda nas lojas A Padaria Portuguesa (a par de uma experiência com compotas no Pingo Doce), mas neste momento os frutos secos já estão disponíveis no Fitness Centre do Hotel Ritz, em Lisboa. “Entrar em hotéis pode ser um caminho de expansão”, avança. Apesar de estar a investir numa nova fábrica em Marvila (com o dobro da capacidade instalada em relação às necessidades atuais), Nuno Carvalho põe de parte a possibilidade de produzir e vender para fora em formato ultracongelado.

“Somos retalhistas e queremos ter uma fábrica porque queremos ter controlo da produção, mas não queremos virar industriais. Alguns produtos vêm já cozidos da fábrica, outros vêm em massa fresca. Temos alguns produtos ultracongelados que compramos a terceiros, que fazem melhor do que nós, mas são produtos pontuais que representam 3% a 5% do que temos disponível”, explica o diretor-geral de A Padaria Portuguesa. Outra das possibilidades para ganhar dimensão é ter mais formatos em centros comerciais. Já há A Padaria Portuguesa nas Amoreiras, Colombo e Monumental, todos shoppings em Lisboa. Nuno Carvalho salienta, no entanto, que o grosso da expansão será feito em lojas de rua. A entrada no Porto está, para já, posta de parte. “É uma cidade interessante, mas é um mercado infinitamente mais reduzido e com uma grande oferta de confeitarias. Para irmos para o Porto temos de abrir lá, o que não é muito interessante”, justifica o responsável, recordando que na cadeia que dirige as lojas são todas próprias, estando excluídas as aberturas em franchising.