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EDP paga €846 milhões ao Estado chinês até 2020

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Elétrica decidiu rever em alta os dividendos. 84% dos novos investimentos terão receitas garantidas

Miguel Prado

Miguel Prado

Em Londres

Jornalista

“Posso assegurar que não estamos a viver uma crise de meia idade”, disse, bem humorado, o presidente-executivo da EDP, António Mexia, à plateia de investidores que na quinta-feira, em Londres, assistiu à apresentação do novo plano de negócios da empresa, que este ano completa 40 anos. O plano carrega ainda mais o foco nas energias limpas. E sublinha a capacidade de gerar retorno acionista. Algo a que o Estado chinês, hoje dono de 24,37% da EDP, será bem sensível.

A administração de António Mexia anunciou que a partir deste ano o dividendo anual aumentará de 18,5 cêntimos por ação para um mínimo de 19 cêntimos. Contas feitas, a EDP garante aos seus acionistas um mínimo de €694 milhões por ano, mais €18,2 milhões do que distribuía até 2015. Admitindo que, até 2020, o Estado chinês manterá a participação que tem atualmente, a República Popular irá absorver €846 milhões em dividendos, dos €3,47 mil milhões que a EDP distribuirá ao longo dos próximos cinco anos.

A atualização da remuneração acionista será possível graças à execução de um plano que, sem ter ruturas com a estratégia dos anos anteriores, assume um crescimento modesto dos resultados (4% ao ano) e um controlo apertado do ritmo de expansão do grupo. O investimento médio anual até 2020 será de €1,44 mil milhões, menos 15% do que os €1,7 mil milhões aplicados em 2015. Adicionalmente, a EDP estima obter poupanças acumuladas de €700 milhões no seu plano de corte de custos operacionais e conseguir algum encaixe adicional com a venda de participações minoritárias (embora a um ritmo inferior ao dos últimos anos).

Um dos fatores-chaves da estratégia de Mexia é assegurar previsibilidade, o que tem sido conseguido essencialmente com a produção de eletricidade em contratos de longo prazo. Dos investimentos previstos até 2020 (num total de €7,2 mil milhões) a EDP revela que 84% têm receitas garantidas: 54% em energias renováveis com contratos de longo prazo e 30% em redes reguladas. Apenas 16% dos investimentos terão as suas receitas expostas à volatilidade do mercado livre (por exemplo, as novas barragens em Portugal).

Também o presidente-executivo da EDP Renováveis, João Manso Neto, notou que a estratégia para 2020 não traz cortes com o passado. “Não há uma revolução no plano, há uma transformação”, declarou o gestor. No caso da Renováveis, que será o motor da expansão até 2020, 65% da nova capacidade a instalar nos próximos cinco anos será concentrada na América do Norte. Os parques eólicos continuarão a ser a grande aposta. A energia solar, um negócio residual para a EDP, permanecerá marginal, valendo apenas 10% da nova potência a construir até 2020.

A dívida líquida do grupo EDP, que no final de março somava €17 mil milhões, continuará sob vigilância. O compromisso para 2020 é que a dívida não seja mais do triplo do EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), exatamente o mesmo fixado para 2017. Atualmente faz 3,6 vezes o EBITDA, tendo em 2015 custado €800 milhões em juros.