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O fim dos escritórios como os conhecemos

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Projeto de escritório com este conceito realizado, no ano passado, em Madrid

Mariano Herrera

Conceito de escritórios que promove a comunicação, o trabalho em equipa e o convívio está a ganhar adeptos

Manuel Cavazza

Esqueça o local de trabalho comum, onde se senta sempre no mesmo lugar, onde tem as suas fotografias na secretária, onde tem desenhos dos seus filhos, onde tem uma caneca com os seus materiais de escritório. Tudo isto está a mudar porque há um novo conceito de espaços de trabalho direcionado à geração que está a entrar no mercado.

Agora imagine que tem um cacifo exclusivamente seu de onde, quando começa a trabalhar, tira um computador portátil. Este escritório é mais pequeno, mas espaçoso. Todos os dias muda de lugar, não tem uma cadeira só sua. Um dia senta-se numa mesa com várias pessoas, no dia seguinte já não.

Tudo indica que a comunicação constante e a mobilidade reforçadas pelas novas tecnologias alteraram o modo como se trabalha nas últimas décadas. Agora, esta mudança pode ter chegado aos locais onde trabalhamos. Vamos ter espaços mais pequenos e funcionais porque o trabalho deixou de ser um lugar onde se vai e passou a ser uma atividade a realizar.

Se isto significa que se vai comprar mais ou menos espaços de trabalho, ainda não se sabe. Na verdade, não está calculado o impacto desta alteração no mercado imobiliário. Francisco Vázquez, presidente da 3G Office, um grupo multinacional de empresas cujo foco é o desenho e gestão de espaços corporativos, analisou mais de 50 empresas europeias e sul-americanas, de todos os sectores e de várias dimensões para compreender melhor o que está a mudar. Vázquez acredita que esta alteração nos espaços não significa que a procura por áreas de trabalho vai aumentar:

“Haverá menos necessidade de escritórios como tradicionalmente os conhecemos. Haverá uma procura, cada vez maior, da parte dos millennials (quem nasceu na década de 80 e está a entrar no mercado de trabalho) por espaços distintos, de trabalho em conjunto (...) Até agora, os espaços de trabalho corporativo são praticamente iguais: umas mesas, uns gabinetes envidraçados”, explica Vázquez, salientando que os tempos mudaram: “Há que procurar espaços singulares que atraiam pessoas, o talento, os jovens (...), que reflitam a cultura, a marca da empresa e, obviamente, espaços mais pequenos do que os atuais”.

Em Portugal, estão a dar-se os primeiros passos — com empresas como a Deloitte, a Microsoft, a Xerox ou a Cisco a fazerem esta mudança. Além disso, coloca-se a questão do que irá acontecer às empresas que não se vão ajustar a tempo. “Nos próximos 5 a 10 anos todas as empresas vão ter de mudar”, considera o especialista. Caso contrário deixam de ser competitivas, pois terão mais gastos e não vão conseguir atrair os jovens, “a geração digital”, frisa Vázquez. O especialista acredita que Portugal tem potencial para este novo conceito de locais de trabalho, pois já começaram a surgir iniciativas destas.

O alvo é a geração Y

O público-alvo da 3G Office é a geração Y, os referidos millennials. “Pela primeira vez, desde a revolução industrial, o trabalho é uma atividade que não requer um lugar preciso e concreto onde esteja a máquina”. Porém, não se pense que a ideia é tirar as pessoas dos escritórios. O foco é adequar os espaços aos novos métodos de trabalho.

Outra conclusão da análise desta empresa é a de que os espaços físicos de trabalho, que têm elevados custos para as empresas, estão abandonados: “Cerca de 50% dos postos de trabalho em qualquer sede corporativa estão simplesmente vazios”. “Normalmente, a sede é necessária para os empregados trabalharem em equipa, o problema dos esquemas atuais de espaços é que 50% estão vazios e os outros 50% estão funcionalmente incorretos”, diz Vázquez.

No fundo, o posto de trabalho vai passar a ser menos importante e os espaços de convívio, de trabalho em equipa, de socialização, onde se possa conviver e aprender, vão ganhar destaque.