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Dívida. Portugal destaca-se na subida de juros

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Os juros da dívida a 10 anos fecharam em 3,32% na sexta-feira e o prémio de risco voltou a situar-se acima de três pontos percentuais. Nesta primeira semana de maio, os juros baixaram para as obrigações gregas e irlandesas e subiram ligeiramente para as espanholas e italianas. Moody’s não mexe no rating de Portugal

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal destacou-se na primeira semana de maio por registar uma subida acentuada das yields das Obrigações do Tesouro no prazo de referência a 10 anos no mercado secundário da dívida soberana. Fecharam em 3,32%, um aumento de 16 pontos base em relação ao valor de encerramento em 29 de abril. As yields, na dívida naquele prazo de referência, subiram apenas um ponto base para as obrigações espanholas e italianas e desceram para os títulos gregos e irlandeses.

O prémio de risco da dívida portuguesa subiu 20 pontos base durante a semana fechando na sexta-feira em 318 pontos base, o equivalente a 3,18 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã. O prémio de risco para as dívidas espanhola e italiana subiu 15 pontos base e para a irlandesa aumentou seis pontos base. No caso da Grécia, o prémio de risco reduziu-se em 26 pontos base, descendo para 837 pontos base – o equivalente a um diferencial de mais de oito pontos percentuais em relação à dívida alemã. O prémio de risco de Espanha e Itália é menos de metade do português. A Irlanda regista um prémio de risco que é ¼ do português.

Sublinhe-se que o custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos baixou durante a semana. As yields das Bunds - designação das obrigações alemãs naquele prazo de referência - desceram de 0,28% no final de abril para 0,15% no encerramento da primeira semana de maio.

A rentabilidade anual da dívida portuguesa continua em terreno negativo, ainda que tenha melhorado em relação ao final de abril. O retorno nas últimas 52 semanas situava-se em -1,59% na sexta-feira, quando atingia -4,13% uma semana antes, segundo o índice da Bloomberg. Em termos anuais, apenas Portugal regista um retorno negativo no quadro da zona euro. A média de rentabilidade anual de toda a dívida do espaço da moeda única está em 3,96%. A dívida grega lidera com um retorno anual de 28,91%.

A agência de notação Moody’s decidiu manter em revisão o rating da dívida portuguesa de longo prazo na reunião de sexta-feira, não comunicando qualquer alteração na classificação de “lixo financeiro” em que se encontra desde julho de 2011. A próxima apreciação está marcada para setembro.

Eurogrupo discute Grécia

A carta enviada pela diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) aos 19 ministros do Eurogrupo – órgão de reunião dos ministros das Finanças da zona euro – reafirmando as posições da organização em relação ao terceiro resgate à Grécia não provocou na sexta-feira nenhum impacto negativo na dívida grega nem no conjunto dos periféricos do euro. Entretanto, este domingo, o Parlamento grego discute e vota um pacote de medidas exigidas pelo Eurogrupo no âmbito do fecho do primeiro “exame” ao terceiro resgate.

O Eurogrupo reúne-se na segunda-feira com o tema da Grécia na agenda. O FMI pretende que se discuta um plano de consolidação orçamental realista com metas de obtenção de excedentes primários muito inferiores aos definidos pelo Eurogrupo e que se inicie o debate sobre o “alívio” da dívida grega que obrigará os credores oficiais europeus a definirem o que pretendem fazer em relação aos empréstimos atribuídos nos três resgates e à carteira que o Banco Central Europeu (BCE) detém de títulos helénicos.

Se as duas condições básicas colocadas por Christine Lagarde não forem aceites pelos parceiros europeus, o Fundo poderá não se envolver no financiamento do terceiro resgate por considerar que o plano de consolidação que pretende ser imposto a Atenas é irrealista, e até contraprodutivo, e que a atual dívida grega não revela sustentabilidade sem uma mexida profunda. O FMI não pretende repetir o erro que cometeu em 2010 ao isentar, então, a Grécia da obrigatoriedade de “passar” na análise de sustentabilidade da dívida ou de implementar uma reestruturação de dívida prévia ao envolvimento do Fundo, no caso daquela ser insustentável à luz dos critérios técnicos que a organização aplica.

O nível de custo dos credit default swaps (que funcionam como contratos contra o risco de incumprimento da dívida) a 5 anos para a Grécia revelam uma probabilidade implícita de bancarrota superior a 50%, segundo dados da CMA. O Tesouro de Atenas enfrenta pagamentos em junho e julho ao FMI (derivados dos empréstimos no âmbito do primeiro resgate em 2010) e ao BCE (em virtude deste ter em carteira títulos adquiridos no âmbito do programa SMP e que não foram reestruturados em 2012) superiores a 3 mil milhões de euros.

  • A agência mantém a atualização da notação da dívida portuguesa em revisão. Não comunicou esta sexta-feira qualquer alteração nem na avaliação especulativa da dívida nem na perspetiva estável definida em julho de há dois anos. Volta a apreciar a 2 de setembro

  • Os mercados de ações perderam em todo o mundo quase 2% da sua valorização durante esta semana. A maior queda “regional” registou-se na Europa. Entre as principais praças financeiras as maiores descidas ocorreram em Istambul, Hong Kong, Moscovo, São Paulo e Milão. Preço do Brent caiu 2,8%

  • Na próxima segunda-feira, os ministros das Finanças do euro vão iniciar o debate sobre a sustentabilidade da dívida helénica. A diretora-geral do FMI escreveu aos 19 ministros a clarificar posições face ao impasse no fecho do “exame” do terceiro resgate. O “Financial Times” e o “The Wall Street Journal” tiveram acesso ao documento que publicam esta sexta-feira