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Bolsas. Primeira semana de maio no vermelho

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Os mercados de ações perderam em todo o mundo quase 2% da sua valorização durante esta semana. A maior queda “regional” registou-se na Europa. Entre as principais praças financeiras as maiores descidas ocorreram em Istambul, Hong Kong, Moscovo, São Paulo e Milão. Preço do Brent caiu 2,8%

Jorge Nascimento Rodrigues

As 46 bolsas cobertas pelo índice mundial da MSCI perderam 1,91% nesta primeira semana de maio. Uma maré vermelha dominou as praças financeiras do globo. A maior descida registou-se para o índice MSCI relativo à Europa, abrangendo 15 economias desenvolvidas, que perdeu esta semana 3,2%. O sector bancário europeu sofreu uma queda de valor de 5% durante a semana. A Ásia Pacífico registou a segunda maior queda, com o índice MSCI respetivo, que engloba três economias desenvolvidas e oito mercados emergentes, a recuar 3,11%. As bolsas de Nova Iorque perderam apenas 0,45% durante a semana, segundo o índice MSCI para os Estados Unidos. O índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, recuou 1,23% durante a semana.

O conjunto das 23 economias emergentes destacou-se com um desempenho negativo. O índice MSCI para estes mercados perdeu 4,15% durante a semana e o índice específico para fundos de investimento cotados nas bolsas dos emergentes (índice MSCI ETF para os emergentes) perdeu 4,7%. “Julgo que esta semana marcou um ponto de inflexão para os mercados emergentes que poderá ter ramificações importantes para os mercados globais e as economias”, refere Doug Noland, editor do “Credit Bubble Bulletin”. A aversão ao risco em relação a estes mercados parece óbvia.

Um “clube” de cinco bolsas revelou o pior desempenho durante a semana. A liderar destacadamente, o índice BIST da bolsa de Istambul que perdeu 8,2%, com uma crise política à espreita na Turquia. Seguem-se, com quedas entre 4 e 4,5%, e por ordem decrescente, os índices Hang Seng de Hong Kong, RTSI (denominado em dólares) de Moscovo, iBovespa de São Paulo e MIB de Milão. A praça financeira italiana destacou-se com as ações dos bancos transalpinos a afundarem-se 9% durante a semana.

No lado dos ganhos semanais, o índice geral da bolsa de Atenas registou uma subida de 3,77% e o índice da bolsa do Luxemburgo avançou 4,3%. A bolsa grega está na expetativa de um acordo entre o governo de Alexis Tispras e os credores oficiais antes do aperto financeiro de junho e julho e a carta de Christine Lagarde aos ministros do Eurogrupo que se reúnem na segunda-feira não teve um impacto negativo na sexta-feira, dia em que foi conhecida, depois de ser revelada pelo “Financial Times” e pelo “The Wall Street Journal”. Entre as principais bolsas mundiais, o índice ASX 200 de Sidney liderou os ganhos, registando um avanço de 0,76%.

No mercado das matérias-primas, a primeira semana de maio foi de descida do preço do barril de petróleo de Brent e dos índices de commodities, no meio de volatilidade intradiária acentuada. O preço do Brent, a variedade europeia de referência internacional, caiu 2,8% durante a semana; fechou em 29 de abril em 48,13 dólares e encerrou a 6 de maio em 45,32 dólares. O índice CRB, que abrange 16 matérias-primas, caiu 2,55% e o S&P GSCI, incluindo 24 componentes, recuou 2,9%.

Em maio não se realizarão reuniões de política monetária do Banco Central Europeu, do Banco do Japão e da Reserva Federal norte-americana (Fed). Segundo os dados de sexta-feira, a probabilidade de uma subida das taxas de juro da Fed na próxima reunião da equipa de Janet Yellen a 15 de junho é de apenas 13%, segundo os futuros daquelas taxas. Este mercado aponta para uma única subida dos juros da Fed na reunião de dezembro, com uma probabilidade de 61%, enquanto os membros do Comité de Política Monetária da Fed apontam para duas subidas até final do ano.

Agenda da próxima semana

Na próxima semana, a reunião do Eurogrupo (órgão de reunião dos 19 ministros das Finanças da zona euro) a 9 de maio terá na agenda a questão grega (incluindo o início do debate sobre o “alívio” da dívida, uma das exigências do Fundo Monetário Internacional reafirmada na carta da diretora-geral, e a apreciação das decisões do Parlamento helénico este domingo), a inflação em abril e a taxa de desemprego em Portugal serão divulgadas a 11 de maio, o Banco de Inglaterra reúne o seu comité de política monetária no dia 12 e na sexta-feira 13 aguardam-se as estimativas de inflação em abril na Alemanha e a taxa de crescimento do PIB no primeiro trimestre na zona euro e em Portugal.

  • Os juros da dívida a 10 anos fecharam em 3,32% na sexta-feira e o prémio de risco voltou a situar-se acima de três pontos percentuais. Nesta primeira semana de maio, os juros baixaram para as obrigações gregas e irlandesas e subiram ligeiramente para as espanholas e italianas. Moody’s não mexe no rating de Portugal

  • Na próxima segunda-feira, os ministros das Finanças do euro vão iniciar o debate sobre a sustentabilidade da dívida helénica. A diretora-geral do FMI escreveu aos 19 ministros a clarificar posições face ao impasse no fecho do “exame” do terceiro resgate. O “Financial Times” e o “The Wall Street Journal” tiveram acesso ao documento que publicam esta sexta-feira