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Aglomerados. Finsa investe mais €20 milhões em Nelas

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Francisco Augusto Marcos recebe amanhã, em Nelas, 600 clientes da Luso Finsa

Rui Duarte Silva

Com a desativação da Jomar, em Matosinhos, a Luso Finsa reforça a produção na base de Nelas. Sexta-feira recebe 600 clientes europeus na fábrica

Com a desativação em abril da base da Jomar, em Matosinhos, a operação portuguesa do grupo madeireiro galego Finsa abre um novo ciclo, com ganhos de eficiência e competitividade e mais investimentos no polo de Nelas. A Luso Finsa “ganha peso estratégico e importância acrescida no universo do grupo, beneficiando de produtos de nova geração e margem de progressão em mercados do centro da Europa e ainda Dubai e América Latina”, refere o administrador Francisco Marcos.

Após um programa que subiu aos 50 milhões de euros, com a instalação de uma segunda linha de produção com 200 metros de comprimento destinada à produção de aglomerado cru, MDF e Superpan (uma combinação de MDF nas faces e aglomerado de partículas no núcleo), a Luso Finsa aspira a um terceiro investimento. A empresa sente algum desconforto por estar dependente de uma única linha de fibra para abastecer a produção de painéis das duas linhas fabris. A intenção é aplicar mais 20 milhões de euros, em capacidade de fibra e energia.

O segredo do Superpan

Neste novo ciclo, o produto estrela passou a ser a nova geração de Superpan, uma patente mundial que herdou da antiga Jomar. A tecnologia evoluída e a linha sofisticada utilizada em Nelas, “corrigiu as antigas debilidades do Superpan produzido em Matosinhos”. Sem “manchas na capa externa e com o núcleo mais compacto, a nova geração abre um campo mais vasto de aplicações na indústria do mobiliário, a custos inferiores de gamas concorrentes”, explica Francisco Marcos.

Esta sexta-feira, dia 6, a Luso Finsa promove uma espécie de open day, recebendo em Nelas 600 clientes, para lhes explicar as vantagens e virtualidades da solução Superpan. Os painéis de madeira viajam mal e para chegar ao centro da Europa a fatura final é agravada em 20 por cento. Num primeiro momento, a vocação de Nelas limitava-se à Península Ibérica, um mercado maduro e menor margem de crescimento no negócio dos aglomerados. Mas, com maior valor acrescentado e maior flexibilidade de aplicações que faz subir o preço, a Luso Finsa ganha margem operacional para atenuar o efeito da distância.

Em 2016, a Luso Finsa vai manter o nível de vendas do exercício anterior (143 milhões), apesar da produção da Jomar se resumir a quatro meses e a produção da Superpan em Nelas estar até julho a 70 por cento da capacidade dimensionada. Mas, o reforço de stocks e a subida de preços do Superpan na exportação explicam o desempenho.

Nelas vence Teruel

Se a linha de Nelas consegue, com menos menos mão-de-obra (70 pessoas) o mesmo volume de produção do que em Matosinhos, os gastos de energia serão agravados e a madeira utilizada é mais cara. Apesar de ser um país florestal “Portugal tem a madeira mais cara da Europa", diz Francisco Marcos.

Para o gestor da Luso Finsa “foi duplamente estimulante verificar” que após “a severa crise que a indústria atravessou, levando o grupo a fechar três bases em Espanha”, o primeiro investimento relevante fosse realizado em Portugal e se tenha dirigido à modernização do Superpan.

Quando em 2013 a Finsa tomou a decisão de encerrar a base da Jomar, a opção mais lógica afigurava-se o reforço da unidade de Teruel (Aragão) que exigia um investimento oito vezes inferior ao realizado em Nelas. Foi de Teruel que seguiu a prensa que seria adaptada na rejuvenescida linha de Nelas. Nessa altura, “a operação portuguesa esteve em risco e foi uma luta dura impor internamente a opção por Nelas”. Mas, a casa-mãe de Santiago de Compostela reconheceu “o desempenho excecional ”das unidades portuguesas, batendo as restantes 12 em indicadores como “resultados, produtividade, absentismo ou sinistralidade”.

Jomar com renda cara

Com ou sem nova linha em Nelas, a base de Matosinhos estava condenada. Quando em 2005 comprou a Jomar à família Costa Leita (Vicaima), o negócio deixou de fora o edifício e terreno de 20 hectares, entalado entre uma zona comercial (Mar Shopping) e o novo projeto Norte Center, uma pequena cidade de negócios com cinco polos e a nova sede da Mota-Engil.

O contrato de arrendamento por 10 anos previa uma pesada renda anual (2,1 milhões de euros), atualizada na segunda metade do contrato. No total, pagou cerca de 24 milhões ao fundo Predicaima que chegou a avaliar o espaço em 50 milhões de euros.

Antes de esgotar os 10 anos, a família Costa Leite denunciou o contrato, para evitar a renovação automática e aceitou depois um novo contrato, baixando a renda para metade. Mas, com o equipamento a ficar obsoleto a Finsa “não poderia investir numa fábrica que não lhe pertencia, com uma localização que não era adequada”.

E avisou a comunidade laboral (160 empregados) com dois anos e antecedência. Houve quem aceitasse mudar-se para Nelas (10) ou para base de Ourense (2), mas a Finsa sabia que o grosso dos assalariados seguiria para o desemprego. Tentou limitar os danos, em clima de paz social.

5 milhões em indemnizações

Em janeiro, um primeiro grupo (28) de idade mais avançada, rescindiu. Os restantes vão saindo ao longo deste ano. Além das indemnizações legais, reservou uma bonificação adicional, superior a um milhão de euros. A originalidade é que este bónus foi dividido igualmente por todos os trabalhadores, independentemente da função e nível salarial, “beneficiando quem tinha salários mais baixos”. No despedimento colectivo, a empresa gastou 5 milhões de euros.

No ano em que completaria 50 anos, a simbólica Jomar fundada por João Marques Pinto, entra em modo de desmontagem e segue para abate. A paisagem perde o caráter fabril e regressa às origens, à espera de um novo destino. Sobra a patente do Superpan, o ativo mais precioso que a Finsa herdou da Jomar.