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Krugman diz que “há espaço para abrandar a austeridade” em Portugal

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José Caria

O vencedor do Nobel da Economia em 2008 diz que “há espaço para reduzir a austeridade em Portugal sem criar um problema de dívida”. E que faz sentido colocar o foco das políticas do país no alívio da pressão social

O economista Paul Krugman defende que o abrandamento de medidas austeritárias na economia portuguesa lhe parece "apropriado", tendo em conta os efeitos económicos e sociais sentidos no país nos últimos anos. "Acho que é o mais correcto a fazer. Mas não há muita margem de manobra para fazê-lo por estarem no euro".

A opinião foi emitida esta manhã em Lisboa, durante o 6º Congresso da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). "Não existe grande margem de manobra para estímulos, mas creio que está provado que a austeridade imposta ao país foi maior do que a que era necessária", defendeu Krugman, convicto de que "há espaço para reduzir a austeridade sem criar um problema de dívida".

O vencedor do Nobel da Economia em 2008 defendeu mesmo que "um ponto no PIB não é essencial para resolver o problema" do país. E que faz sentido colocar o foco das políticas do país no alívio da pressão social. "Por exemplo, se analisarmos as contas, podemos concluir que o salário mínimo em Portugal está um pouco acima do que deveria. Mas não é uma catástrofe. Parece-me razoável subi-lo", exemplificou.

Entre os grandes desafios que o país terá pela frente, Krugman elegee o problema da demografia e da crescente diminuição da população ativa. Uma questão acentuada por um efeito colateral da austeridade – o forte aumento da emigração no país – e que leva a que existam também hoje menos pessoas a pagar impostos.

Durante a sua intervenção no 6.º Congresso da APED, Paul Krugman defendeu que embora a economia europeia tenha ainda grandes obstáculos, dúvidas e incertezas pela frente, existe agora alguma razão para optimismo.

"O debate sobre os resultados da austeridade acabou. A austeridade esmagou o crescimento económico. As provas são hoje claras. A austeridade foi como se estivessem a bater com o martelo na cabeça da pessoa. E se ainda não foram ao médico tentar reverter os efeitos do martelo, pelo menos deixaram de bater e criaram espaço para o crescimento. Não houve um 'boom', mas a Europa já não está em crise", prosseguiu.

Na base destas palavras esteve a constatação de que a política económica europeia, quando "observada de fora, parece ter dois universos: o BCE, que faz tudo o que pode, e depois os políticos, que se centram na diabolização da dívida pública".