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Inatel dá formação a refugiados para poderem trabalhar em turismo

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Fundação forma nas suas unidades hoteleiras refugiados que estão em Portugal e lança o apelo às cadeias turísticas nacionais para poderem empregar essas pessoas

A Fundação Inatel vai dar formação, nas suas unidades hoteleiras, a refugiados que estão em Portugal, e apela aos seus parceiros do sector turístico para acolherem e empregarem estas pessoas, que fogem de conflitos bélicos.

Esta ação de formação faz parte do projeto da fundação "Migrantes como nós", que prevê o acolhimento de refugiados (alojamento e alimentação), o acesso a formação para aprendizagem da Língua Portuguesa, apoio à integração no mercado de trabalho e inserção na sociedade.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Fundação Inatel, Francisco Madelino, avançou que a iniciativa, que vai ser agora iniciada, "é um programa de receção, acolhimento e incorporação de refugiados do conflito sírio e dos conflitos do norte de África, que vão desde o Iraque até à Síria".

"Respondendo aos apelos das Nações Unidas e das organizações europeias, mas sobretudo do Governo português, nós recolhemos esses imigrantes" que fogem destes "conflitos infelizes, com consequências muito negativas sobre milhões de pessoas", disse Francisco Madelino.

Neste momento, a Fundação Inatel acolhe, nas suas instalações de Oeiras, dez refugiados, com idades entre os 18 e os 57 anos, oriundos da Síria, Eritreia e do Iraque.

Francisco Madelino adiantou que a fundação está "a contactar e a dinamizar uma rede" para que, em ligação com a hotelaria privada, possa haver mais entidades capazes de receber refugiados e integrá-los no mercado de trabalho.

Numa primeira fase, os refugiados aprendem a falar português e contactam com a realidade portuguesa. "Esta é uma intervenção que dura cerca de dois meses e, simultaneamente, é iniciada formação profissional, no sentido de os preparar para uma segunda fase", em que passam a exercer atividades ocupacionais e profissionais de apoio, nas unidades hoteleiras onde estão instalados, explicou.

Haverá uma terceira fase em que a fundação os ajudará a "ter um emprego no mercado português de trabalho", com o apoio do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFF), que é parceiro com programa, tal como o Conselho Português para os Refugiados (CPR).

Para isso, a Fundação Inatel vai tentar encontrar unidades hoteleiras, onde existam oportunidades de trabalho, ou empregos disponíveis de outro tipo, para receber estas pessoas.

"Utilizando as parcerias e a rede que a fundação tem com as unidades hoteleiras privadas, iremos tentar mobilizar os hotéis privados para poderem criar oportunidades de emprego e de ocupação, e serem envolvidos nesta rede de inserção e de acolhimento dos refugiados", disse Francisco Madelino.

A ideia é, através desta rede, "alargar as entidades portuguesas, as empresas, os hotéis que estão disponíveis para acolher e dar ocupação a estas pessoas", sustentou.

Francisco Madelino explicou que o pedido da fundação é um "apelo ao humanismo" e "às características básicas da sociedade portuguesa" de receber bem e ser solidária.

Disse ainda esperar que "o tecido económico congénere da Fundação Inatel, a hotelaria, seja capaz de ter um papel exemplar, e ao mesmo tempo simbólico, demonstrativo [dessas características] da sociedade portuguesa".