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Bruxelas questiona números de Centeno e alerta para riscos

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Marcos Borga

Nas previsões económicas de primavera, a Comissão Europeia tem números mais pessimistas que os do Governo. E sublinha que está preocupada com o défice estrutural

As previsões de Bruxelas apontam finalmente – e ao fim de vários anos - para que Portugal consiga ficar abaixo da linha vermelha do défice excessivo, mas a Comissão Europeia continua mais pessimista do que o governo. Enquanto as contas de Mário Centeno apontam para um défice nominal de 2,2% do PIB este ano, Bruxelas fala em 2,7%.

Uma diferença de cálculos que se mantém também para 2017. O governo prevê um défice de 1,4% do PIB, enquanto os técnicos europeus dizem que será maior e chegará aos 2,3% do PIB no próximo ano.

Apesar da revisão em baixa do défice nominal, a Comissão avisa que há riscos significativos e mostra-se preocupada com a deterioração do défice estrutural – excluindo os efeitos do ciclo económico e medidas extraordinárias. Segundo as previsões divulgadas esta terça-feira, este parâmetro deverá aumentar duas décimas este ano e mais três no próximo. A culpa, diz Bruxelas, é da falta de medidas de consolidação orçamental e mostra-se preocupada com “uma potencial falta de acordo” nesta área em 2016 e 2017.

Também o crescimento económico é revisto em baixa em relação às previsões de fevereiro. Passa de 1,6% para 1,5% este ano, e de 1,8% para 1,7% no próximo. Valores que estão abaixo das previsões do governo, que conta com um crescimento do PIB de 1,8% nos dois anos.

Outros riscos prendem-se com a desaceleração da retoma económica e do investimento e com possíveis derrapagens na despesa. Para o governo mais um recado: “o consumo privado deverá perder o ímpeto em 2016 e 2017 devido ao aumento dos impostos indiretos e dos preços da energia”, diz o documento.

Quanto aos números do desemprego, as previsões de Primavera apontam para que seja de 11,6% este ano e desça para 10,7% no próximo.