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Como a offshore do Grupo Espírito Santo comprou empresa a Botton e Relvas

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Filipe de Botton negou este sábado ao jornal Observador ter vendido a empresa Eurobarcelona a uma empresa offshore, desmentindo o Expresso, que mantém a informação: registo da conservatória mostra porquê

Entre os muitos negócios feitos pelo Grupo Espírito Santo (GES) com sociedades offshore criadas pela Mossack Fonseca esteve uma transação imobiliária realizada em 2007 com uma empresa participada por Filipe de Botton e Alexandre Relvas, segundo apuraram o Expresso e a TVI no âmbito da investigação “Panama Papers”, desenvolvida através do ICIJ – Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

A Eurobarcelona, criada em dezembro de 2004 em Cascais por Filipe de Botton, Alexandre Relvas e Carlos Monteiro, foi comprada em 2007 pelo GES, através da Heydell Real Estates, SA, empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas.

Uma parcela de 90% foi adquirida pela Heydell Real Estates, veículo representado por José Castella (controlador financeiro do GES). Os restantes 10% foram comprados por Caetano Beirão da Veiga. Dois anos mais tarde a Heydell ficaria com a totalidade da Eurobarcelona ao comprar a fatia de Beirão da Veiga.

Este sábado, Filipe de Botton negou ao Observador (jornal digital do qual é acionista) ter feito o negócio com a offshore do GES, acrescentando: “O Expresso está a mentir e a usar os nossos nomes ilegitimamente para vender jornais”.

Mas a certidão permanente que a Mossack Fonseca guardou relativamente à Eurobarcelona, dado ela ter sido adquirida pela sua cliente Heydell Real Estates, contraria a posição de Filipe de Botton. O documento da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa mostra que a 21 de novembro de 2007 foi registada a transmissão de quotas da Eurobarcelona.

Filipe Maurício de Botton tinha 1670 euros dos 5000 euros com que fora constituída a Eurobarcelona. E em 2007 vendeu uma quota de 500 euros a Caetano Espírito Santo Beirão da Veiga e outra quota de 1170 euros à Heydell Real Estates, SA, com sede em Tortola, nas Ilhas Virgens.

Simultaneamente, esta offshore comprou a quota de 1665 euros que pertencia a Alexandre Relvas, bem como a quota de 1665 euros de Carlos Monteiro. A partir deste momento (final de 2007), Botton, Relvas e Monteiro deixam de ter participações na referida Eurobarcelona. Mas os registos da conservatória provam que a transmissão das quotas foi feita à Heydell Real Estates SA, das Ilhas Virgens.

Nas suas declarações ao Observador, Botton diz ainda que a Eurobarcelona “foi criada em 2004 para adquirir um imóvel na rua Rodrigo da Fonseca, em Lisboa”. “Tratava-se de um prédio que pertencia à Fundação Sardinha. A nossa ideia passava por transformar aquele imóvel num prédio residencial. Tentamos desenvolver o projeto, incorrendo em despesas, mas não conseguimos chegar a acordo com a fundação. Foi nessa altura que surgiu a Espart, que se mostrou interessada e conseguiu adquirir o imóvel à Fundação Sardinha”, explicou o empresário.

Na quinta-feira, em conversa telefónica com o Expresso, contudo, Filipe de Botton tinha referido que a empresa teve como objetivo transacionar dois imóveis na Avenida Infante Santo, em Lisboa, acrescentando desconhecer o destino da Eurobarcelona depois de ela ter sido vendida em 2007.

Leia AQUI a certidão permanente que a Mossack Fonseca guardou relativamente à Eurobarcelona.

  • Entre os muitos negócios do Grupo Espírito Santo feitos com sociedades offshore criadas pela Mossack Fonseca esteve uma transação imobiliária com uma empresa participada por Filipe de Botton