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Bolsas mundiais registam ganhos pelo segundo mês consecutivo

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Depois de uma quebra acumulada de 7% em janeiro e fevereiro, o índice mundial das bolsas registou uma subida de mais de 7% em março e de 1,3% em abril. O melhor desempenho em abril foi da Europa. O Ibex 35, de Madrid, está nos cinco melhores desempenhos do mês. Preço do Brent subiu 18%

Jorge Nascimento Rodrigues

O índice MSCI para todas as bolsas do mundo subiu 1,28% em abril. Pelo segundo mês consecutivo registou ganhos. Nos dois primeiros meses do ano acumulou uma queda de 7%. Em março recuperou anulando a quebra anterior. Em abril voltou a subir, ainda que mais moderadamente. Desde o final de 2015, aquele índice global regista um ganho de 1%.

O índice MSCI para a Europa foi o que melhor desempenho teve em abril entre os índices “regionais”. Subiu 1,86% face a um avanço de 1,77% para a Ásia Pacífico e a um aumento muito modesto de 0,38% para os Estados Unidos. O índice MSCI para os mercados emergentes aumentou apenas 0,4%.

Os cinco melhores desempenhos em abril, nas principais praças financeiras, com subidas acima de 3% incluem os índices Tadawull da Arábia Saudita (+9,4%), RTSI russo denominado em dólares (+8,6%), iBovespa brasileiro (+7,7%) mesmo num contexto de aguda crise política e recessão económica, MICEX russo denominado em rublos (+4,4%) e Ibex 35 espanhol (+3,5%).

Os cinco piores desempenhos em abril, mas principais bolsas, incluem o índice geral de Taiwan (-4,2%), o Nasdaq da bolsa das tecnológicas em Nova Iorque (-1,9%), o DJ de Xangai chinês (-1,7%), o Nikkei 225 japonês (-0,6%) e o IPC mexicano (-0,2%).

O PSI 20, da bolsa de Lisboa, registou um ganho de 0,64% em abril. Desde o início do ano ainda acumula uma perda acumulada de 4,9%.

Europa ainda está no vermelho em termos anuais

Apesar das subidas em março e abril, os índices MSCI para a Ásia Pacífico e para a Europa estão, ainda, em terreno negativo para o período desde início do ano. A situação mais grave respeita às bolsas europeias que registam um recuo de 1,4% desde o final do ano passado.

O preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, subiu 18% em abril, fixando um máximo do ano em 48,28 dólares durante a última sessão do mês. O barril de Brent fechou a cotar-se em 47,39 dólares, apesar do fracasso da cimeira de Doha a 17 de abril para um congelamento da produção e de uma sondagem da Reuters revelar que em abril subiu a oferta por parte do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que se aproximou dos níveis recorde de janeiro passado. Desde o mínimo a 20 de janeiro, o preço do Brent já subiu 75%.

FMI diz que o mundo pode precisar de ‘plano B’

Abril foi mês de reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a organização reviu em baixa, de novo, as suas previsões para o crescimento económico mundial em 2016. Em apenas 12 meses, os economistas da equipa de Christine Lagarde reduziram a previsão em 0,6 pontos percentuais; a nova projeção é para um crescimento de 3,2%, já muito próximo da linha vermelha de 3%, que o falecido Michael Mussa, economista-chefe do Fundo até 2001, considerava ser “praticamente recessão” em termos de dinâmica mundial.

Lagarde disse aos banqueiros centrais e ministros das Finanças do mundo que o Fundo “está alerta, mas ainda não alarmado”. No entanto, os técnicos do Fundo avisaram que os riscos que se estão a agravar poderão conduzir a um cenário pessimista de combinação de estagnação estrutural da economia mundial com baixa inflação, o que exigiria “planos de contingência” concertados prontos a serem retirados da gaveta rapidamente em caso de necessidade. Um ‘plano B’ para evitar o afundamento mundial numa situação de estagdeflação (estagnação com inflação negativa). O FMI volta a reunir-se na sua assembleia anual de 7 a 9 de outubro.

“Estamos a viver com tempo emprestado. E, mais cedo ou mais tarde, isso termina em lágrimas”, disse John Thornton, ex-presidente da Goldman Sachs, há duas semanas em Nova Iorque no lançamento de um livro do filho. É Ilustrativo do sentimento pessimista que existe em alguns meios financeiros norte-americanos.

O mês ficou, também, marcado pela não alteração do quadro de política monetária nos Estados Unidos, Zona Euro e Japão e por uma polémica pública sobre o pacote de estímulos monetários do Banco Central Europeu (BCE) criticado duramente por alguns políticos e governantes alemães. O presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, respondeu que os banqueiros centrais do euro “obedecem à lei e não aos políticos” e que “é normal para os políticos comentarem as nossas ações. Mas não seria normal se os ouvíssemos”. Parte importante do pacote de estímulos aprovado na reunião de março do BCE só entra em vigor a 1 de junho. Apesar das expetativas, o Banco do Japão (BoJ) acabou por não lançar estímulos adicionais na reunião de abril; a previsão dos analistas, agora, é que o faça a 16 de junho.

Maio sem reuniões de banqueiros centrais dos EUA, Zona Euro e Japão

O mês de maio não regista reuniões de política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed), do BCE e do BoJ. Entre os bancos centrais mais importantes, apenas o Banco de Inglaterra realiza uma reunião em 12 de maio.

A especulação sobre um novo aumento das taxas de juro pela Fed desloca-se, agora, para a reunião de 15 de junho. A probabilidade implícita de um aumento é apenas de 11% segundo os futuros daquelas taxas de juro que indicam a perceção do mercado, apesar de muitos analistas considerarem que a equipa presidida por Janet Yellen terá deixado a porta aberta para uma primeira subida do ano nessa reunião. Em termos de perceção do mercado, uma probabilidade superior a 50% só se regista para a reunião de 21 de dezembro, a última do ano. O que contrasta com as intenções dos membros do comité de política monetária da Fed que apontam para duas subidas ainda este ano de modo a atingir um teto de 1% no intervalo das taxas de juro, que se situam atualmente entre 0,25% e 0,5%. As probabilidades de subida até dezembro são de 28% na reunião de julho, 41% na de setembro e 44% na de novembro.