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Dívida. Irlanda e Itália lideram subidas de juros e de prémio de risco em abril

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos e o prémio de risco aumentaram no mês que findou. Mas não foram as maiores subidas. Rentabilidade anual da dívida portuguesa continua negativa. Dez países do euro registam juros negativos

Jorge Nascimento Rodrigues

A Irlanda e a Itália lideraram em abril as subidas das yields da dívida obrigacionista no prazo de referência, a 10 anos, no mercado secundário e o aumento do prémio de risco. Portugal ficou em terceiro lugar com as yields das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos a subirem 22 pontos base e o prémio de risco a aumentar nove pontos base para.

Abril registou aumentos nas yields das obrigações e no prémio de risco de todos os periféricos do euro. Mas, também, países do centro da moeda única registaram subidas. As yields das obrigações alemãs – Bunds – no prazo de referência subiram 13 pontos base.

Abril acabou por ficar marcado pela contestação pública por parte de alguns políticos e governantes alemães aos malefícios da atual política monetária do Banco Central Europeu (BCE) liderado por Mario Draghi e por uma descida da inflação na zona euro para terreno negativo. O BCE volta a reunir-se a 2 de junho, não tendo nenhuma reunião de política monetária agendada para maio. A nova linha de financiamento direcionado à banca – designada por TLTRO II, que poderá ter juros negativos – e o programa de compra de dívida empresarial nos mercados primário e secundário só arrancam a 1 de junho.

DBRS não agrava notação da dívida portuguesa

As yields das OT a 10 anos fecharam no mercado secundário em 3,16% e o prémio de risco da dívida portuguesa subiu para 288 pontos base, o equivalente a um diferencial de 2,88 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã que serve de referência. As yields das OT naquele prazo chegaram a atingir um máximo do mês em 3,44% a 12 de abril, um nível que, no entanto, está a alguma distância do stresse em fevereiro quando chegaram a atingir 4,1%, um máximo registado este ano até à data. Um fator potencial de stresse foi anulado esta semana. A agência de notação canadiana DBRS acabou esta sexta-feira por repetir a decisão tomada em novembro do ano passado ao manter o rating da dívida portuguesa de longo prazo acima de grau especulativo, vulgo “lixo financeiro”, e a tendência em “estável”. A agência só volta a rever a situação em outubro.

No caso de Itália, as yields das obrigações no prazo de referência subiram em abril 27 pontos base e o prémio de risco aumentou 13 pontos base. Quanto à Irlanda, que regista as yields e o prémio de risco mais baixos nos periféricos, as primeiras subiram 25 pontos base e o segundo aumentou 11 pontos base. As yields das obrigações espanholas subiram 15 pontos base e o prémio de risco aumentou apenas um ponto base.

A Grécia, que mantém o impasse no fecho do exame ao terceiro resgate, registou um aumento de 14 pontos base nas yields das obrigações a 10 anos e de apenas um ponto base no prémio de risco. O máximo das yields daquelas obrigações registou-se a 14 de abril fechando em 9,34%, mas os dois dias de maior stresse, com aumentos superiores a 35 pontos base (0,35 pontos percentuais), ocorreram a 4 e 27 de abril, quando as negociações entre os credores oficiais e o governo de Atenas atravessaram momentos críticos. As duas partes têm, agora, um curto período para chegar ou não a um acordo até à reunião do Eurogrupo (órgão de reunião dos ministros das Finanças do euro) de 9 de maio. O primeiro-ministro helénico Alexis Tsipras, face ao impasse registado nesta última semana do mês, chegou a reclamar uma cimeira extraordinária da União Europeia.

Portugal continua com rentabilidade anual negativa

Na rentabilidade anual, avaliada para um período das últimas 52 semanas, a dívida obrigacionista portuguesa continua a ser negativa, o único caso entre os periféricos do euro, registando -4,13%, segundo o índice da Bloomberg. A dívida grega tem a melhor rentabilidade anual, superior a 23%.

O retorno anual do conjunto da dívida da zona euro caiu de 0,79% no final do mês de março para terreno negativo no final de abril, registando -0,03%, o que sinaliza um problema grave na zona euro depois de um pacote de novos estímulos monetários aprovado na reunião de 10 de março do Banco Central Europeu.

A maior queda de rentabilidade anual para um periférico do euro verificou-se com a dívida irlandesa, que caiu de 1,12% no final de março para 0,02% no final de abril.

Analisando apenas o mês de abril, a rentabilidade mensal do conjunto da dívida obrigacionista da zona euro desceu para terreno negativo, fechando em -1%, a pior desde agosto do ano passado, como sublinha a Bloomberg. A Itália liderou as rentabilidades negativas em abril, fechando o mês em -1,37%. Portugal registou -1,04%.

Dos 19 membros da moeda única, dez registam no final de abril yields negativas em vários prazos da sua dívida obrigacionista. O que significa que os investidores “pagam” para deter tal dívida em vez de receberem um juro.

A liderar esse “clube” em abril está, de novo, a Alemanha com yields negativas até ao prazo de 7 anos inclusive. No final de março, a Alemanha registava yields negativas até ao prazo de 8 anos inclusive, tal como a Holanda. Os dez países, no final de abril, são os seguintes, por ordem decrescente de número de prazos com yields negativas: Alemanha (até 7 anos inclusive), Áustria (até 6 anos), Bélgica (até 6), Holanda (até 6), Finlândia (até 5), França (até 5), Eslováquia (2 e 4 anos), Irlanda (2 e 3 anos), Itália (12 meses e 2 anos) e Espanha (12 meses e 2 anos). A Eslovénia, que registava yields negativas no prazo a 2 anos no final de março, saiu do grupo.

Agenda de maio com pendentes de abril

O fecho ou não do exame ao terceiro resgate grego tem uma primeira etapa na reunião do Eurogrupo a 9 de maio.

A Finlândia poderá discutir em maio a saída do euro em virtude de uma petição de 53 mil eleitores que deu entrada no Parlamento.

Na Irlanda, nas próximas semanas, espera-se que seja formado um governo minoritário do Fine Gael – que liderou o anterior governo antes das eleições legislativas de 26 de fevereiro e chefia o atual governo de gestão – com o apoio parlamentar do Fianna Fáil. O primeiro partido obteve 25,5% dos votos e o segundo 24,3%.

A 3 de maio, Felipe VI de Espanha deverá dissolver as atuais Cortes – com uma composição saída das eleições de 20 de dezembro do ano passado - e convocar novas eleições legislativas para 26 de junho, se não houver uma reviravolta de última hora que permita a formação de um governo com apoio parlamentar maioritário.

A Itália aguarda a decisão da Comissão Europeia para um pedido de flexibilidade orçamental para 2016. O governo italiano avançou com 0,9% do PIB, mas o vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis, disse em Roma esta semana que o limite dessa flexibilidade poderá ir até 0,75% do PIB, mas que a decisão ainda não está tomada.

  • A agência canadiana de notação acaba de comunicar que não alterou nem o rating da dívida portuguesa de longo prazo nem a tendência. Confirmou a notação de BBB low e a tendência estável. Mas deixa avisos. Próxima revisão em outubro