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Teodora Cardoso reafirma dúvidas com previsões do Governo

Luís Barra

Presidente do Conselho de Finanças Públicas avisa que não se deve contar com benevolência da União Europeia, caso alguma coisa corra mal

Cética confessa desde o início, Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas(CFP), voltou a levantar dúvidas quando à viabilidade da meta de 1,8% para o crescimento económico, desenhada pelo Governo no programa de Estabilidade, em entrevista à RTP3, na quarta-feira à noite. "Nunca diria que as coisas são irrealizáveis, mas diria que é difícil", sublinhou.

Caso alguma coisa corra mal, deixa um aviso a António Costa: as União Europeia não será benevolente. "As autoridades não terão muita flexibilidade e não tem nada a ver com este Governo, mas com a nossa experiência passada. Benevolência já houve e agora está esgotada".

Para a presidente do CFP, o Governo devia ter revisto as estimativas de crescimento da economia deste ano. "Eu não gosto de fazer previsões. Estar a discutir se cresce 1,5 ou 1,7 % é perfeitamente gratuito. Nenhum de nós realmente sabe. O que temos de saber é se estamos numa situação que envolve vários riscos e que não são só nossos. (...) Não basta ficarmos sossegados a dizer que vai tudo correr bem e que tivemos um programa de ajustamento e que a economia já se ajustou e agora vai crescer. Vai crescer? Veremos".

Quanto a falar num plano B, Teodora Cardoso diz que tal é "inútil", porque em todos os casos, quando se inicia a execução de um orçamento há sempre riscos. "São anos de riscos elevados, tendo em conta o plano internacional, e porque há uma mudança de política. Há sempre um período de ajustamento e de dificuldades".