Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Greve no Porto de Lisboa pode pôr em causa abastecimento alimentar a todo o país

  • 333

Porto de Lisboa

Ana Baião

Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares diz que a situação é “particularmente dramática para a indústria de alimentos compostos para animais mas pode rapidamente afetar a alimentação humana”

A greve em curso dos estivadores no Porto de Lisboa – que vai decorrer até 12 de maio –, "pode pôr em causa o abastecimento alimentar do país, se não forem tomadas medidas urgentes num curto período de tempo".

O alerta é dado pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), que apela, por isso, ao Governo para que "aja no sentido de devolver o normal funcionamento da atividade portuária, cuja paralisação representa um duro golpe para a atividade da Indústria Portuguesa Agroalimentar – tanto animal como humana".

Em comunicado divulgado esta quinta-feira, a FIPA nota que após oito dias de greve já não existe bagaço de soja no mercado, destinado ao fabrico de alimentos compostos para animais. "Ou seja, se nada for feito relativamente à greve – imposição de serviços mínimos ou a requisição civil – muitas fábricas vão deixar de laborar e o fabrico de rações estará comprometido, o que poderá colocar a vida de milhões de animais em explorações pecuárias em risco".

No mesmo documento, é dito que a situação é "particularmente dramática para a indústria de alimentos compostos para animais, mas pode rapidamente afetar a alimentação humana. A cevada e o trigo panificável poderão esgotar-se nos próximos dias, pelo que muitas unidades terão de parar a sua laboração. A indústria de panificação será por isso também fortemente afetada. Da mesma forma, o fornecimento de produtos de origem animal (carne, leite e ovos), produzidos em Portugal, pode vir a ressentir-se".

A FIPA conclui referindo que os principais operadores do mercado internacional não estão a fornecer cotações de matérias-primas para o mercado português, devido à instabilidade da situação criada em Portugal. "As que são disponibilizadas apontam para acréscimos de preços que nada têm a ver com os preços do mercado mundial e, em muitos casos, está a equacionar-se mesmo a possibilidade de não abastecerem o nosso mercado".

Recorde-se que o Porto de Lisboa representa 70% da circulação de matérias-primas para a indústria alimentar.