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Reserva Federal dos EUA não sobe taxa de juros

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Apenas com um voto contra, o comité de política monetária do banco central norte-americano considerou esta quinta-feira não ser ainda altura para voltar a subir os juros. Inflação deverá manter-se baixa no curto prazo. Reafirma estratégia de “aumentos graduais”

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central, voltou a decidir não mexer no quadro de política monetária, mantendo inalterada a taxa de juros de referência, que subiu em dezembro do ano passado para o intervalo entre 0% e 0,25%. Na reunião do seu comité federal de política monetária, realizada quarta e quinta-feira, apenas um dos 10 membros votou contra, pois defendeu uma subida do intervalo para 0,25% a 0,50%. A não mexida nas taxas de juro era esperada pelos analistas e correspondia a uma probabilidade nula de mexida para esta reunião de abril implícita nos futuros das taxas de juro.

A equipa de Janet Yellen, a economista que preside à Fed, continua a considerar que se mantém uma expetativa para uma inflação baixa no curto prazo nos Estados Unidos e que, apesar da melhoria das condições no mercada laboral, o crescimento da atividade económica parece ter abrandado.

Em virtude do contexto de inflação baixa, a Fed reafirma a sua estratégia de prudência aconselhando “apenas aumentos graduais” na taxa de juros do banco central e sublinha no comunicado divulgado que o intervalo naquelas taxas “provavelmente permanecerá, por algum tempo, abaixo dos níveis que se espera que prevalecerão no longo prazo”.

Os especialistas na "leitura" dos comunicados da Fed sublinham que, agora, foi retirada a menção a "riscos globais". O comunicado refere-se apenas à monitorização de "desenvolvimentos financeiros e económicos globais".

A inflação anual em março foi de 0,9%, uma descida em relação a fevereiro quando se registou 1%. A variação em março ficou também abaixo das previsões dos analistas que apontavam para 1,1%. Recorde-se que a taxa de inflação na zona euro foi de 0,3% em janeiro, caiu para terreno negativo em fevereiro (-0,2%), e registou 0% em março.

Os EUA saíram de inflação negativa em maio de 2015 assistindo-se a um processo ascendente até um pico de 1,4% em janeiro de 2016. Desde essa altura assiste-se a um processo de desinflação. Os dados de abril só serão divulgados a 17 de maio. A meta de política monetária da Fed para a inflação é de 2%.

A taxa de desemprego, depois de ter descido para 4,9% em janeiro e fevereiro deste ano, subiu para 5% em março, continuando, no entanto, claramente abaixo da média de 5,82% desde 1948. Um nível de emprego próximo do "pleno emprego" é outra das metas do banco central norte-americano, que tem um mandato dual (inflação e emprego), ao contrário do Banco Central Europeu que orienta a sua política monetária apenas em direção a uma inflação abaixo mas próxima de 2%.

Os decisores da Fed projetam atualmente dois aumentos nas taxas de juro este ano, contra uma previsão de quatro subidas realizada na reunião de dezembro do ano passado.

Após a divulgação do comunicado da reunião desta semana, as probabilidades implícitas nos futuros das taxas de juro subiram para as reuniões de 27 de julho, 21 de setembro, 2 de novembro e 21 de dezembro. A partir da reunião de setembro, inclusive, a probabilidade de um aumento da taxa de juros é superior a 50%. No caso da reunião de setembro, a probabilidade subiu de 49% para 54%. Em relação à próxima reunião a 15 de junho a probabilidade é de apenas 23%; manteve-se inalterada. Para a reunião seguinte, a 27 de julho, a probabilidade subiu ligeiramente de 37% para 39%.