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Grécia quer cimeira europeia extraordinária

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ALEXANDROS VLACHOS / EPA

Depois do anúncio do adiamento da reunião do Eurogrupo prevista para quinta-feira, Alexis Tsipras telefonou esta quarta-feira a Donald Tusk apelando a uma cimeira dos líderes da União Europeia. Impasse nas negociações em Atenas em torno do plano B de medidas contingentes

Jorge Nascimento Rodrigues

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras telefonou esta quarta-feira a Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, apelando à convocação de uma cimeira extraordinária dos líderes da União Europeia para evitar o regresso de uma crise grega no início do verão.

As negociações em Atenas em torno de um plano B de medidas contingentes valendo 2% do PIB entraram num impasse na terça-feira. Um porta-voz do presidente do Eurogrupo anunciou ao final do dia que a reunião extraordinária deste órgão de ministros das Finanças da zona euro, prevista para quinta-feira, não se realizaria e estaria adiada ainda sem nova data.

O impasse deriva de os credores oficiais (europeus e Fundo Monetário Internacional) não aceitarem uma proposta do governo helénico de criação de um mecanismo automático de corte geral na despesa pública grega – de cerca de 5% - no caso dos objetivos do acordo resvalarem. O Conselho de Política Orçamental poderia ser responsável pela monitorização dos objetivos e pela decisão de ativar o mecanismo automático em caso de necessidade.

O governo de coligação chefiado por Tsipras considera que esta solução é politicamente aceitável por parte da sua curta maioria no Parlamento. No entanto, há credores oficiais que rejeitam esta solução e pretendem a aprovação pelo parlamento grego de um pacote adicional, um plano B, de medidas de austeridade específicas, detalhadas, valendo 3,6 mil milhões de euros, cerca de 2% do PIB do país. Este plano B é adicional ao plano de corte de 5,4 mil milhões de euros com que o governo grego já concordou e que prevê que possa passar no Parlamento. Quanto a um plano B específico, o governo de Tsipras considera que não recolherá apoio maioritário no Parlamento e abrirá uma nova crise política.

No mercado secundário, as yields das obrigações gregas no prazo de referência, a 10 anos, abriram esta quarta-feira a subir para 8,7%, depois de terem registado no dia anterior uma subida de 10 pontos base. As yields fecharam abaixo de 8,5% no final da semana passada depois de uma trajetória de descida de valores acima de 9%.