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“Instabilidade destrói a imagem do país”

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JOSÉ CARLOS CARVALHO

Os 84 notáveis que promovem Portugal “precisam que o país garanta um quadro estável”, diz Filipe de Botton

Só a estabilidade conseguirá colocar e manter Portugal nos “holofotes” mediáticos mundiais “de forma credível”. Quem o diz é o presidente do Conselho da Diáspora, Filipe de Botton. “Para um país que não tem imagem internacional — nem boa nem má —, a credibilidade global só pode ser conquistada pelo exemplo daquilo que fazem os portugueses mais notáveis que atualmente vivem e trabalham fora de Portugal. Já temos 84 pessoas geniais no Conselho da Diáspora que querem ajudar a conquistar uma excelente imagem portuguesa internacional. Estão todos colocados em posições cimeiras nos sectores das empresas, das artes, da ciência e da cidadania. Mas para que tenham sucesso na divulgação dessa imagem credível, o país precisa de ter estabilidade. Porque a instabilidade destrói qualquer imagem credível que queiramos transmitir”, diz Filipe de Botton.

“Sem estabilidade nunca criaremos uma imagem sólida e fiável e isso preocupa os membros do Conselho da Diáspora”, comenta. Em articulação com a Presidência da República e com o Governo, a missão de Filipe de Botton e dos 84 membros notáveis que integram este organismo é, precisamente, “promover a imagem internacional de Portugal e criar condições para que o país se torne um mercado cada vez mais atrativo ao investimento estrangeiro”.

“Isso leva anos a construir, não se faz sem um eficiente sistema de educação, nem sem estabilidade no enquadramento fiscal e laboral”, adverte Filipe de Botton.

“Não diria que somos cata-ventos, porque seria agressivo, mas, infelizmente — e dentro das limitações que nos são impostas pela Europa —, tendemos a variar muito o nosso rumo, que é algo bastante pernicioso para o investimento estrangeiro”, comenta.

“O que um estrangeiro mais procura quando investe num país é estabilidade. Em Portugal, com alguma emoção, avançamos com ações que mudam tudo, sem medirmos as consequências no plano internacional, e isso preocupa-nos no Conselho da Diáspora”, diz. Por isso, considera “fundamental que os vários governos portugueses, de centro-direita ou de centro-esquerda, respeitem a ideia de que só com estabilidade é que conseguimos criar uma imagem que leve pessoas de várias origens geográficas a apostarem em Portugal”.

O Conselho da Diáspora — que nasceu de uma ideia do ex-presidente da Cisco, Diogo Vasconcelos, já falecido — já promoveu várias iniciativas que resultaram em investimentos relevantes para Portugal, como a decisão que o presidente executivo da IBM, Sam Palmisano, tomou depois de conhecer a realidade nacional: criou o Centro de Conhecimento da IBM em Portugal.

Uma das iniciativas mais recentes centra-se na área da saúde oncológica, que contou com o apoio de Ron de Pinho, responsável pelo maior centro de investigação oncológica a nível mundial, localizado em Houston, no Texas. “Em oncologia, a prevenção permitirá poupar €3 mil milhões, e isso é relevante quando sabemos que um dos maiores especialistas mundiais neste sector é português”, diz Filipe de Botton.

Agora, o Conselho da Diáspora está a debater o tema do audiovisual em Portugal. Este trabalho está a ser desenvolvido por “três conselheiros, a Joana Vicente, que está em Nova Iorque, à frente da maior empresa de produção de audiovisual independente dos EUA, o Ricardo Pereira, ator na Globo, que tem vindo a estudar uma nova forma de fazer mais divulgação de teatro e cinema em Portugal, e Cristóvão Fonseca, produtor e realizador em França, com contactos europeus relevantes nesta área. Perguntam-me se isto vai levar a algum lado? Como o Conselho da Diáspora é totalmente inclusivo, os contributos adicionais devem ser considerados — por exemplo, seria excelente associar o Sam Mendes a esta iniciativa.

O Joaquim Almeida também tem ajudado, tal como a Ana Miranda, que trabalha em Nova Iorque. Todos aqueles que se têm vindo a associar fazem-no no intuito de ajudar Portugal”, refere.
E remata: “Ao Conselho da Diáspora cumpre a função de lançar debates e credibilizá-los. Se eles acontecem ou não, depende da vontade de nós todos, dos 10 milhões de portugueses que vivemos em Portugal, fazermos com que as coisas aconteçam”.