Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Imobiliário antecipa novo recorde em Portugal em 2016

  • 333

TIVOLI. A venda da cadeia do ex-grupo Espírito Santo ao grupo tailandês Minor foi a maior transação turística em 2015

A euforia de investir em imobiliário voltou em força ao país, que teve um “ano histórico” em que o negócio subiu 154%, e o turismo não foi exceção

No investimento imobiliário, 2015 já é considerado o “melhor ano de sempre em Portugal desde que há registos”. A compra e venda de ativos comerciais no país disparou 154%, com os investidores a adquirir imóveis num valor total de 1,8 mil milhões de euros, onde o turismo assumiu um peso de 14%, segundo a consultora B. Prime. Este valor nem sequer inclui investimento em habitação, reportando-se apenas à transação de ativos para escritórios, lojas ou hotelaria, e segundo a consultora a procura dos investidores pela compra de imóveis em Portugal irá manter-se “aquecida” em 2016.

O crescimento fora do comum do investimento imobiliário em Portugal em 2015 é assinalado por todas as consultoras especializadas. A Worx, consultora portuguesa que fez para a troika a reavaliação dos ativos imobiliários dos bancos, aconselha em 2016 a investir em reabilitação urbana ou em escritórios, tendo identificado estes negócios como os de maior potencial a nível nacional no seu recente estudo de mercado “WMarket 16”. “Se há investimentos que vão ser rentáveis em Lisboa e Porto dentro de quatro ou cinco anos serão os escritórios de grandes dimensões”, é uma das conclusões do WMarket 16, que também põe o foco no “mercado da hotelaria em Portugal, que tem beneficiado recentemente com a transferência de turistas do Egito e da Tunísia”.

LISBOA. O crescimento da procura turística põe a capital cada vez mais no radar dos investidores hoteleiros

LISBOA. O crescimento da procura turística põe a capital cada vez mais no radar dos investidores hoteleiros

TIAGO MIRANDA

Como frisa a consultora, “a afirmação de Portugal como destino turístico de massas não invalida o potencial que existe em novas localizações com projetos destinados às classes alta e média-alta”. Em dá o exemplo de Lisboa, onde “em 2015 o preço médio por quarto subiu 11,1% quando comparado com 2014, e os hotéis de cinco estrelas foram os que mais contribuíram para este aumento, com um crescimento de 15,2% face a 2014”.

Contando só as transações de ativos hoteleiros, o volume total do investimento turístico em Portugal ascendeu no ano passado a 250 milhões de euros, segundo a Worx. Em compra e venda de hotéis, registaram-se 16 transações a nível nacional, tendo-se destacado a operação de aquisição da cadeia Tivoli, do ex-grupo Espírito Santo, pelo grupo tailandês Minor, negócio que foi finalizado em fevereiro deste ano.

Foram sobretudo estrangeiros que se destacaram na compra de hotéis no país, mas também houve grupos nacionais a avançar neste campo, designadamente nos casos da aquisição do Hotel Aviz, em Lisboa, pelo grupo Porto Bay à Fundação Oriente, ou da compra por parte do grupo Vila Galé do Hotel Douro River, na Régua, que estava em processo de insolvência. De acordo com a Worx, mais de 50% das transações hoteleiras em 2015 foram realizadas em Lisboa e 30% no Algarve, com o valor investido por quarto a variar entre os 51 mil e os 140 mil euros.

A reabilitação de edifícios antigos, sobretudo em zonas centrais ou bairros históricos, tem sido uma das tónicas dos novos hotéis que estão a abrir em Lisboa ou no Porto. Um caso emblemático neste campo é o da Pousada de Lisboa, que o grupo Pestana inaugurou em julho do ano passado no Terreiro do Paço, e que em 2016 foi o projeto turístico vencedor do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana.

REABILITAÇÃO. A Pousada de Lisboa, que inaugurou em julho no Terreiro do Paço, foi o projeto turístico que ganhou o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana em 2016

REABILITAÇÃO. A Pousada de Lisboa, que inaugurou em julho no Terreiro do Paço, foi o projeto turístico que ganhou o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana em 2016

ABRIRAM 52 NOVOS HOTÉIS EM PORTUGAL

A par do aumento da procura turística, também “a oferta hoteleira teve o maior crescimento de sempre em Portugal em 2015”, de acordo com a Worx. O estudo de mercado da consultora dá conta de 52 novas unidades que abriram no ano passado no país, e que trouxeram um acréscimo de 3.777 quartos.

“O ano de 2015 foi histórico para a hotelaria portuguesa e para o investimento no mercado turístico nacional, resultado do crescimento das dormidas e do aumento dos preços médios por quarto”, salienta por seu turno a consultora CBRE, que contabilizou a entrada no ano passado de 21 novos hotéis em Lisboa, o que “triplicou o número de aberturas do ano anterior e contribuindo para um acréscimo de 1.8681 quartos na cidade, com maior preponderância para os hotéis de quatro estrelas”.

“O ritmo de promoção de novos hotéis, em particular de cadeias nacionais e internacionais, deverá manter-se elevado, nomeadamente em Lisboa, estando atualmente em construção ou em fase de projeto um total de 40 novas unidades, cuja inauguração está prevista para 2016/2017”, avança a análise de mercado da CBRE.

ALGARVE. A retoma do turismo residencial é uma das tendências avançadas para 2016

ALGARVE. A retoma do turismo residencial é uma das tendências avançadas para 2016

FOTO FILIPE FARINHA/STILLS

No campo das “perspetivas futuras”, o estudo da consultora adianta que, no caso de Lisboa, há que somar aos 'pipeline' dos novos hotéis “um número significativo de projetos destinados a alojamento local, que já representa hoje uma importante parte da oferta”, e que também o Porto “manterá um ritmo de crescimento expressivo da oferta e procura, com a inauguração de algumas unidades de referência nos próximos dois anos”.

Outra tendência para 2016 identificada pela CBRE incide na “retoma da promoção imobiliária ao nível do turismo residencial, sobretudo nas zonas mais consolidadas do Algarve”. No geral, segundo os especialistas, a compra e venda de imóveis turísticos irá continuar a ser um bom negócio. “Todo o segredo está em saber identificar os ativos, reposicioná-los e saber valorizá-los em função do novo posicionamento pretendido”, faz notar Pedro Rutkowski, CEO da consultora Worx, chamando a atenção para o “enorme potencial de rentabilidade” evidenciado pela reabilitação urbana, para fins que também incluem hotelaria e turismo. “Tudo depende, porém, do posicionamento e da valorização que for feita aos ativos pelos investidores”, avisa. “O potencial está todo lá, mas é preciso saber usá-lo”, conclui o consultor.