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Bolsas mundiais registam ganhos semanais com Europa a liderar

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KENZO TRIBOUILLARD/GETTY

Balanço semanal. China e Nasdaq à frente no “clube” das descidas. Madrid e Tóquio lideram subidas. Em Lisboa, PSI 20 ganha 1,6%, com disparo do BCP. Preço do Brent subiu 4,7%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais registaram um ganho semanal de 0,83%, segundo o índice MSCI para todos os países. Foi um ganho modesto face à subida de 2,5% na semana anterior.

A Europa liderou as subidas durante esta penúltima semana de abril. O índice MSCI para a região europeia avançou 1,25%, apesar de duas sessões consecutivas, na quinta e sexta-feira, registando perdas.

A ponta final da semana nos mercados financeiros europeus foi marcada pelo choque de um novo abalo no sector construtor automóvel com o risco de mais escândalos relacionados com a certificação de emissões e pelo pouco entusiasmo dos investidores com as conclusões da reunião de política monetária do Banco Central Europeu na quinta-feira passada.

Na Bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 subiu 1,56% em termos semanais, com as ações do BCP a valorizarem 8,02% face a quedas acentuadas da Altri (-12,5%) e do BPI (-9,07%).

O pior desempenho durante a semana registou-se para o conjunto dos mercados emergentes, cujo índice MSCI respetivo perdeu 0,18%. As bolsas de Shenzhen (quebra de 5,4%), Xangai (queda de 3,9%) e Taipé (descida de 1,89%) lideraram o “clube” mundial do pior desempenho.

Na China, os investidores temem que o Banco Popular da China, o banco central, trave o ritmo de adoção de mais estímulos, depois da agência de noticias oficial Xinhua ter referido que a postura, este ano, será mais “prudente” em política monetária. O economista-chefe do banco, Ma Jun, referiu que a política monetária, este ano, dará mais atenção "a desviar os riscos macroeconómicos".

Nasdaq no “clube” do pior desempenho

Nas três principais “regiões” onde se concentram as praças financeiras mais importantes – Ásia Pacífico (cujo índice inclui cinco economias desenvolvidas e oito mercados emergentes, nomeadamente a China), Europa (cujo índice lista 446 entidades em 15 países, incluindo Portugal) e Estados Unidos -, Nova Iorque ficou para trás, com o índice MSCI respetivo a subir 0,58% contra 0,63% na primeira e 1,25% na segunda “região”.

Em Nova Iorque, o índice geral do Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, perdeu 0,65% durante a semana, colocando-o no “clube” semanal do pior desempenho, que, também, incluiu os principais índices de Shenzhen, Xangai, Taipé, São Paulo (iBovespa) e Londres (FTSE 100).

O melhor desempenho semanal nas principais praças financeiras do mundo registou-se nas bolsas de Madrid, Tóquio, Frankfurt e Moscovo, com ganhos acima de 3%. O índice espanhol Ibex 35 subiu 4,3% e o índice nipónico Nikkei 225 avançou também 4,3%.

Preço do Brent subiu 4,7%

No mercado petrolífero, o preço do barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, subiu 4,7% em termos semanais, fechando na sexta-feira a cotar-se em 45,13 dólares. O preço do Brent fixou um novo máximo do ano durante a sessão de dia 21 de abril, chegando a cotar-se em 46,18 dólares.

O preço do barril de petróleo de referência norte-americana, a variedade WTI, subiu ainda mais do que o preço do Brent, registando um ganho semanal de 8,4%.

A expetativa de que poderá haver nova reunião do grupo da iniciativa de Doha ainda em maio, eventualmente na Rússia, continua a alimentar a perspetiva de um congelamento da produção pelo cartel da OPEP e outros não membros, como a Rússia, apesar de múltiplas declarações contraditórias sobre o assunto.

No conjunto das matérias-primas, os índices da Reuters e da S&P registaram subidas próximas de 3,5% durante a semana. O índice CRB da Reuters, que abrange 19 commodities, ganhou 3,47%, e o índice S&P GSCI, que inclui 24 matérias-primas, avançou 3,49%.

Agenda da próxima semana: Fed e inflação na zona euro

A última semana de abril vai ser marcada por alguns eventos com eventual impacto nos mercados financeiros.

A Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central da maior economia do mundo, divulgará as conclusões da sua reunião de política monetária no dia 27 pelas 19h (hora de Portugal), ainda que não se espere qualquer decisão de novo aumento das taxas de juro.

No dia seguinte, de madrugada (na Europa) será a vez do Banco do Japão, o banco central nipónico, divulgar as conclusões da sua reunião de política monetária e o seu documento de previsões económicas. A expetativa dos analistas é que o banco central anuncie a possibilidade de emprestar aos bancos nipónicos a taxa negativa (como poderá suceder com a segunda série da linha de financiamento direcionado TLTRO na zona euro a partir de junho).

Nessa quinta-feira serão, também, divulgados os índices de clima de negócios e de confiança dos consumidores na zona euro.

No último dia da semana, o Eurostat divulgará a sua primeira previsão de inflação na zona euro para abril. Recorde-se que a inflação em março foi de 0%, depois de uma inflação negativa de -0,2% em fevereiro.

  • Mario Draghi revelou na conferência de imprensa desta quinta-feira que o conselho diretivo do Banco Central Europeu reafirmou por unanimidade a necessidade da política monetária de estímulos atual. "Obedecemos à lei e não aos políticos. Somos independentes", disse o presidente do BCE