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SDC Investimentos com capital negativo de 66 milhões de euros

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A SDC Investimentos (ex-Grupo Soares da Costa) registou perdas de 71,4 milhões em 2015, por causa das imparidades

A SDC Investimentos, agora reduzida aos negócios das concessões, imobiliáro e uma participação na construtora Soares da Costa, fechou o exercício de 2015 com perdas de 71,4 milhões de euros, multiplicando por cinco o valor de 2014 (14.8 milhões).

Com as perdas acumuladas nos últimos exercícios, a sociedade já derreteu todo o capital social (160 milhões) e apresenta agora um capital próprio negativo de 66 milhões.

Em março, a SDC já avisara o mercado que as contas de 2015 reconheceriam imparidades de 56 milhões, repartidas pela decisão arbitral no metro de Telavive e a avaliação dos ativos imobiliários. Esta sexta feira, a sociedade divulgou os resultados, justificando os elevados prejuízos pelas referidas imparidades.

A receita reduziu-se para 6,7 milhões (-2,8%), apesar do crescimento das vendas de imobiliário. A dívida líquida está nos 265 milhões de euros (317 milhões no fim de 2014). O desempenho favorável beneficiou das alienações realizadas durante 2015.

Acordo com os bancos

Há um ano, a SDC Investimentos celebrou com os bancos um plano de reestruturação financeira da dívida de 155 milhões, dilatando os prazos de pagamento até 2035 e beneficiando de uma emissão de 18,5 milhões de obrigações convertíveis a subscrever pelo BCP e Caixa Geral de Depósitos a uma taxa de 0,5%.

O acordo foi assinado em novembro, mas a sua aplicação está presa por detalhes e permanece no circuito bancário. A operação liga-se com a anunciada vontade do acionista principal da construtora Soares da Costa de antecipar a aquisição dos 33% ainda na posse da SDC Investimentos.

Recuemos a 2103. Carregando uma dívida insustentável de 1000 milhões, o grupo Soares da Costa encetou uma profunda reorganização para sobreviver. A primeira decisão de fundo foi a transferência para interesses angolanos representados pelo empresário António Mosquito da maioria do capital da construtora (67%) através de um aumento de capital de 70 milhões.

Nos termos do acordo com António Mosquito, a SDC Investimentos beneficiava de uma opção de venda, a partir de 2019, da participação que mantinha na construtora ou no caso desta não distribuir dividendos em dois exercícios consecutivos.

O acordo conheceu este ano uma evolução com o interesse da GAM (Grupo António Mosquito) de antecipar a compra e negociar a aquisição o capital remanescente. A solução está a ser debatida com os bancos envolvidos. Segundo o acordo de 2013, a SDC Investimentos poderá encaixar 38,5 milhões.

Desvalorização em bolsa

A SDC está agora reduzida aos ativos imobiliários e participações na Auto estrada da Beira Interior (33%) e Autoestrada Transmontana (46%).

A sociedade é controlada pela família Fino, que detém 60% do capital, depois de ter vendido gradulalmente em bolsa mais de 10%.

Quem decidiu abandonar a sociedade foi Ana Maria Caetano, a filha de Salvador Caetano que herdou a participação da família no grupo. Começou com 11%, reduziu para 6% e este mês deixou de ter uma posição qualificada, por ser inferior a 2%.

Em bolsa, a SDC vale 2 milhões, tendo desvalorizado 50% desde o início deste ano e 87% nos últimos 12 meses.