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Juros da dívida portuguesa foram os que mais subiram esta semana na zona euro

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos fecharam a semana em 3,29%. Mas, em termos semanais, o prémio de risco da dívida portuguesa subiu apenas 2 pontos base e o preço dos cds desceu. Juros da dívida grega desceram significativamente com a perspetiva de conclusão do primeiro exame ao terceiro resgate

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, subiram 12 pontos base no mercado secundário da dívida soberana durante a semana para fecharem esta sexta-feira em 3,29%. Foi a maior subida entre os membros do euro. Este nível de fecho está ainda abaixo do pico de abril em 3,44% - no dia 12 – e está distante do pico do ano em 4,11% em 11 de fevereiro.

No entanto, em virtude de as yields das obrigações alemãs no prazo de referência terem aumentado 10 pontos base durante a semana, o prémio de risco da dívida portuguesa apenas subiu dois pontos base, fechando em 306 pontos base, o equivalente a um diferencial de mais de três pontos percentuais em relação ao custo de financiamento alemão.

O preço dos credit default swaps (acrónimo cds) a 5 anos, que funcionam como seguros contra um risco de incumprimento da dívida, desceram de 277,5 pontos base em 15 de abril para 264,66 pontos base a 22 de abril.

Eventos com impacto: acordo na Grécia e decisão da DBRS

Na próxima semana, há dois momentos com eventual impacto no mercado secundário da dívida portuguesa. O andamento do primeiro exame ao terceiro resgate à Grécia, depois das condições colocadas na reunião do Eurogrupo (órgão dos ministros das Finanças da zona euro) de hoje, indicará se a Grécia e os credores oficiais chegam a um acordo durante a semana ou se o stresse regressa acompanhado de riscos de contágio. E se, politicamente, o governo grego está em condições de aceitar e legislar o pretendido, nomeadamente um "plano B", e avançar para um quadro mais limitado de mudança de perfil da dívida helénica, em vez de uma reestruturação com um corte nominal no valor. O segundo evento diz respeito à apreciação na sexta-feira da notação da dívida portuguesa, ainda com grau de investimento, por parte da agência de rating canadiana DBRS.

O facto da semana no mercado secundário da dívida foi a descida significativa das yields das obrigações gregas no prazo de referência que caíram 49 pontos base durante a semana, fechando em 8,48%. O que contrastou com a subida das yields nos restantes periféricos do euro e nos países do centro.

A reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) realizada na quinta-feira não entusiasmou os investidores na dívida soberana da zona euro. Mario Draghi, o presidente do BCE, respondeu às críticas de alguns sectores alemães e pediu paciência para que haja tempo para que os pacotes de estímulos surtam efeito na inflação e na economia real através do canal bancário. Draghi anunciou que em junho arrancará o novo programa de compra pelo BCE de títulos com grau de investimento (não especulativos, vulgo lixo financeiro) entre seis meses e 30 anos emitidos por entidades empresariais da zona euro que não sejam bancos.

Agenda de política monetária: reuniões da Fed e do Banco do Japão

Na próxima semana realizam-se as reuniões da Reserva Federal norte-americana (Fed) e do Banco do Japão (BoJ).

A probabilidade implícita de uma subida das taxas de juro na reunião da Fed de 27 de abril é de apenas 2%, de acordo com os futuros dessas taxas. A probabilidade de nova subida das taxas aumentou para 50% em relação à reunião de 2 de novembro e para 64% quanto à última reunião do ano a 21 de dezembro.

Os analistas especulam que a reunião do BoJ no dia 28 poderá avançar com juros negativos para linhas de financiamento à banca nipónica, num movimento similar ao do BCE ao admitir taxas de juro negativas para a segunda edição de linhas de financiamento direcionado, conhecidas pela sigla TLTRO, que arranca em junho.

  • Caso português só será debatido em Bruxelas em junho

    Os jornalistas quiseram saber se os ministros da Economia e Finanças, reunidos esta sexta-feira em Amesterdão, iriam analisar as situações orçamentais dos estados-membros. Dijsselbloem disse que só lá para junho. Mal ouviu a palavra “Portugal”, Moscovici fugiu