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Juros da dívida grega em queda na expetativa de acordo para a semana

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Os juros das obrigações gregas a 10 anos desceram para 8,6% depois do Eurogrupo desta sexta-feira apontar para nova reunião no início da próxima semana para fechar o primeiro “exame” e iniciar a discussão de uma mudança de perfil da dívida helénica

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields da dívida obrigacionista no prazo de referência, a 10 anos, para a maioria dos periféricos do euro estão em baixa esta sexta-feira. O movimento é liderado por uma descida de 25 pontos base no caso das obrigações gregas cujas yields caíram para menos de 8,6% pelas 12h (hora de Portugal), após a conclusão da reunião desta manhã do Eurogrupo (órgão dos ministros das Finanças da zona euro). É o ponto mais baixo desde 6 de janeiro deste ano.

A exceção é Portugal que regista yields ligeiramente acima do fecho de ontem, situando-se em 3,21%. A trajetória é de subida clara desde um mínimo na sessão de hoje de 3,17% às 11 horas.

Na conclusão do Eurogrupo desta sexta-feira em Amesterdão, o presidente daquele órgão, o holandês Jeroen Dijsselboem afirmou que poderá realizar-se “uma reunião adicional do Eurogrupo na próxima semana para a conclusão do primeiro exame [do terceiro resgate à Grécia] e iniciar a discussão sobre a sustentabilidade da dívida helénica”.

Três pilares para a conclusão do exame grego

Segundo as diversas declarações proferidas após a conclusão da reunião por parte de responsáveis da zona euro, o Eurogrupo aponta para três pilares no fecho do primeiro “exame” ao andamento do resgate: o governo grego terá de aprovar um plano de medidas contingentes (plano B) em antecipação que sejam “credíveis” e com um “grau de automaticidade” em caso de terem de ser implementadas; esse pacote terá de ser “satisfatório para todas as partes”; e não é aceite um novo “alívio” na dívida grega que implique um corte nominal (hair cut) como em 2012.

“Chegámos à conclusão de que o acordo político deve incluir um pacote contingente de medidas adicionais que apenas serão aplicadas se for necessário para atingir a meta de excedente primário em 2018. O mecanismo de contingência deve ser credível, legislado antecipadamente, automático e baseado em critérios objetivos para o desencadear destas medidas contingentes”, disse o presidente do Eurogrupo. Em relação ao “alívio de dívida”, o ministro holandês sublinhou “algumas limitações”: “Para citar duas principais: não há suporte no Eurogrupo para cortes nominais na dívida”, e “vamos olhar para possibilidades de mudança do perfil e se necessário tomar medidas adicionais, olhando para maturidades e períodos de carência, conforme descrito no acordo no verão passado”.

Segundo o jornal financeiro alemão “Handelsblatt”, a chanceler Angela Merkel já terá deixado uma porta aberta para uma mudança de perfil (reprofiling) da dívida grega, em vez de uma reestruturação nominal e, esta sexta-feira, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) recuou de exigências anteriores (que apontavam para a necessidade de um corte nominal na dívida detida pelos credores oficiais europeus para que a dívida grega pudesse ser sustentável, segundo os critérios de análise do Fundo) para uma posição similar à saída do Eurogrupo de hoje.

"Acredito que nenhum corte de cabelo [hair cut] é necessário, e assim o valor nominal da dívida não tem que ser mudado", disse Christine Lagarde, que acrescentou:"[A Grécia] provavelmente vai necessitar de uma mudança no perfil da dívida usando múltiplos mecanismos. Mas isso deverá ser acionado quando necessário, isto é, após a conclusão de todas as medidas que estão a ser discutidas atualmente e com base numa previsão realista".

Dificuldades adicionais para Atenas

As conclusões de hoje do Eurogrupo criam dificuldades políticas adicionais ao governo de Atenas. “Em certo sentido, o governo grego ganhou o pior dos dois mundos na reunião de Amesterdão, uma vez que lhe foi pedido para legislar, já, mais de 3,6 mil milhões de euros em medidas contingentes de austeridade no Parlamento, quando ainda existem dúvidas se os deputados irão aprovar os 5,4 mil milhões do pacote inicial, e aparentemente ganhou pouco em termos de medidas de alívio da dívida com que contrabalançar aquelas exigências”, refere a análise política do site grego Macropolis.

A dívida helénica atingiu 176,9% do PIB no ano passado. Atenas pagou 6,7 mil milhões de euros em juros anuais, menos do que no ano anterior. Num total de dívida pública de 311,45 mil milhões de euros, os credores oficiais (europeus e FMI) representam 78%, segundo os dados divulgados esta semana pelo Elstat, o instituto de estatísticas grego.

Otimismo da DBRS sobre Portugal

Em relação a Portugal, um artigo de Paul Ames publicado esta sexta-feira no site norte-americano “Politico” (edição europeia) relembra que a agência canadiana de notação DBRS discutirá dia 29, sexta-feira da próxima semana, a situação portuguesa. No pior cenário, a agência poderá retirar o rating de investimento a Portugal e empurrar a notação para grau especulativo, similar à das outras três mais importantes agências.

O articulista refere, no entanto, que a DBRS reuniu, no fim de semana passado, com “uma delegação portuguesa sénior” à margem da assembleia da primavera do FMI em Washington. Fergus McCormick, da DBRS, disse ao “Politico” que “até agora, os sinais são positivos. Continuamos muito otimistas”.