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Caso português só será debatido em Bruxelas em junho

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BART MAAT / EPA

Os jornalistas quiseram saber se os ministros da Economia e Finanças, reunidos esta sexta-feira em Amesterdão, iriam analisar as situações orçamentais dos estados-membros. Dijsselbloem disse que só lá para junho. Mal ouviu a palavra “Portugal”, Moscovici fugiu

É a típica estratégia dos políticos para não falarem publicamente de um caso muito quente, quando ele está a ferver. Ou fogem dos jornalistas, ou quando confrontados, empurram com a barriga. Chutam para canto. Foi precisamente que aconteceu esta sexta-feira em Amesterdão. Os profissionais da informação perguntaram ao presidente do Eurogrupo se as questões orçamentais seriam debatidas na reunião que decorre na capital holandesa e Jeroen Dijsselbloem começou por dizer, à entrada, que tal só aconteceria no “próximo mês”, maio, portanto. Mas no final, já falou em junho.

“Cabe ao governo português e à Comissão Europeia discuti-las. Não está na agenda da reunião de hoje [sexta-feira, 22 de abril]. Faremos o ponto de situação no próximo mês sobre a situação orçamental”, disse à entrada para a reunião de ministros das Finanças e da Economia da União Europeia. E perante a insistência de uma repórter, que quis saber se estava otimista, respondeu assim: “Realmente não posso adiantar nada, a preparação acontece sempre entre os estados-membros e a Comissão, e eles vão dar-nos mais informação no próximo mês.”

Jeroen Dijsselbloem ainda enfrentou os jornalistas, já que o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, mal ouviu a palavra “Portugal”, fugiu dos microfones.

Na agenda da reunião de ministros das Finanças e da Economia da União Europeia desta sexta-feira consta, entre outros assuntos, o escândalo Panamá Papers, informou a 12 de abril Jeanine Hennis-Plasschaert, em representação da presidência holandesa do Conselho da União Europeia.

Numa declaração ao plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), a ministra holandesa anunciou a decisão da presidência do seu país de incluir na reunião do Ecofin o caso de milhares de empresas criadas em paraísos fiscais e envolvendo vários políticos.

"A Comissão será convidada a apresentar uma reação de cariz político relativamente ao branqueamento de capitais e evasão fiscal", anunciou então Jeanine Hennis-Plasschaert.

A maior investigação jornalística da história envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas 'offshore' em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Panama Papers, como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em "'offshores'" e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

O Expresso e o canal de televisão TVI estão a participar nesta investigação em Portugal.