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Unanimidade no BCE contra críticas alemãs

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Mario Draghi revelou na conferência de imprensa desta quinta-feira que o conselho diretivo do Banco Central Europeu reafirmou por unanimidade a necessidade da política monetária de estímulos atual. "Obedecemos à lei e não aos políticos. Somos independentes", disse o presidente do BCE

Jorge Nascimento Rodrigues

“Obedecemos à lei [que instituiu o nosso mandato] e não aos políticos”, afirmou Mario Draghi na conferência de imprensa que se seguiu à reunião de política monetária desta quinta feira do Banco Central Europeu (BCE). O presidente do banco da moeda única respondia, assim, indiretamente ao coro de críticas recente que se observou na Alemanha por parte de políticos da CDU/CSU, incluindo o ministro das Finanças Wolfgang Schäuble. Draghi repetiu: “Somos independentes”.

“Temos o mandato de prosseguir a estabilidade de preços para toda a zona euro e não só para a Alemanha”, acrescentou o italiano, que sublinhou, ainda, que hoje o conselho foi unânime em reafirmar a independência do BCE face aos políticos e a adequação da atual política monetária ao contexto de baixa inflação. O próprio presidente do Bundesbank, o banco central alemão, já havia dito em entrevista ao “Financial Times” que todo o conselho do BCE apoiava a estratégia de estímulos monetários, ainda que pudessem haver discordâncias sobre determinados instrumentos, como, aliás, revelaram as atas da reunião de 10 de março.

Draghi acentuou que as medidas de estímulos levam “tempo” a produzir todos os seus impactos positivos e que o BCE vai manter "o grau apropriado de acomodação monetária tanto quanto for necessário", tanto mais que os riscos permanecem. Há que evitar a consolidação de um ambiente de muito baixa inflação num contexto económico de "uma incerteza global persistente" e de riscos geopolíticos. O presidente do BCE admitiu inclusive que a inflação na zona euro, que registou 0% em março, poderá "passar a negativa de novo nos próximos meses". Afirmou que será "limitado" o impacto na retoma económica da zona euro de uma saída do Reino Unido da União Europeia (o que tem sido designado por Brexit). Draghi reafirmou que o BCE considera que a permanência do Reino Unido na UE é benéfica para ambas as partes.

Conversas tranquilas com Schäuble

Questionado sobre as discussões que teve com o ministro alemão em Washington na semana passada, aquando da reunião da primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), Draghi referiu que foram “produtivas, “tranquilas” e “muito amistosas”. Ironizou que o próprio Schäuble terá já esclarecido que, em relação à afirmação que lhe é atribuída, de que as políticas do BCE são “culpadas por metade” da subida política do partido eurocético gernânico (AfD, Alternativa para a Alemanha), “não quiz dizer o que disse ou que não disse o que queria dizer". O que provocou risos.

Além da unanimidade dentro do conselho do banco, o italiano não deixou de sublinhar que a política monetária que está a seguir recebeu o apoio do FMI na semana passada durante a reunião da Primavera daquela organização.

Draghi aproveitou para repetir que a política monetária só por si não chega para impulsionar o crescimento económico. “Outras políticas têm de atuar mais decisivamente a nível nacional [de cada estado membro do euro] e da União Europeia”, acentuou, para recordar a “receita” do FMI de uma ação conjugada em três vetores – monetário, reformas estruturais e orçamental.

O presidente do BCE admite que a política orçamental no conjunto da zona euro é, atualmente, “levemente expansionista”, mas que a questão central é a sua “composição”, que tem de ser “amiga do crescimento”, e que isso diz respeito a “todos os países” membros da moeda única, ainda que haja que respeitar o quadro do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Aproveitou a polémica pública em torno do BCE alimentada por alguns políticos alemães para dizer que essa onda de criticismo "pode atrasar a realização dos objetivos [da política monetária]", o que, por sua vez, gera "a necessidade de mais política expansionista". Ou seja, cria um círculo vicioso.

Na reunião de hoje do Conselho do BCE decidiu-se não mexer no quadro da política monetária para a zona euro, mantendo as taxas de juro definidas na reunião de março: 0% para as operações principais de refinanciamento, 0,25% para a facilidade permanente de cedência de liquidez, e -0,4% (uma taxa negativa) para os depósitos dos bancos no BCE.

Draghi anunciou que avançarão em junho a nova linha de financiamento direcionado para os bancos - conhecida por TLTRO II, que poderá emprestar a juros negativos - e o novo programa de aquisição de dívida de empresas não bancárias pelo BCE.

Suécia aumenta compra de dívida

Esta quinta-feira, de manhã, o Riksbank, banco central da Suécia, decidiu aumentar o seu programa de compras de dívida pública em 45 mil milhões de coroas (o equivalente a cerca de 4,9 mil milhões de euros) no segundo semestre deste ano.

O teto anual do programa passa, assim, para 245 mil milhões de coroas suecas (cerca de 27 mil milhões de euros).

O banco central sueco decidiu manter inalterada a taxa de juro de referência em -0,5% (taxa negativa), que compara com 0% na zona euro.

  • Juncker sai em defesa de Tsipras. Ressuscitar a Grexit é brincar com o fogo

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