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Juros da dívida dos periféricos em alta. Exceção é a Grécia

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Esta quinta-feira ficou marcada no mercado secundário por uma subida dos juros das obrigações dos membros do euro no prazo a 10 anos. Só os juros das obrigações gregas desceram, e significativamente, com a notícia que o país registou um saldo primário orçamental em 2015

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das obrigações dos membros do euro no prazo de referência, a 10 anos, subiram esta quinta-feira. A exceção foi a Grécia. A maior subida registou-se nas yields das obrigações alemãs naquele prazo conhecidas por Bunds. O movimento altista já se estava a observar antes da conferência de imprensa de Mario Draghi respondendo às críticas oriundas da Alemanha e anunciando que o novo programa de compra de dívida empresarial arranca em junho. Draghi falou depois da conclusão da reunião do conselho do Banco Central Europeu (BCE) que não mexeu no quadro de política monetária decidido em março.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) naquele prazo de referência subiram para 3,2%, seis pontos base acima do valor de encerramento na quarta-feira. No entanto, as yields durante a sessão de hoje variaram entre um mínimo de 3,01% (pelas 12h45, quando o BCE divulgou o comunicado sobre a reunião de hoje) e um máximo de 3,2% (vinte minutos antes do fecho). O mesmo aumento de seis pontos base verificou-se para as yields das obrigações espanholas, italianas e irlandesas. As yields das Bunds subiram oito pontos base para 0,24%, um nível que já não se registava há 21 sessões.

A exceção foi a Grécia. As yields das obrigações helénicas a 10 anos desceram 49 pontos base fechando em 8,79%. O governo de Atenas recebeu esta quinta-feira a boa noticia que, em 2015, se registou um excedente orçamental primário de 0,7% do PIB, face a uma previsão de um défice orçamental primário de 0,6% do PIB apontado pelo Fundo Monetário Internacional.

Apesar da subida das yields nos quatro periféricos do euro, o prémio de risco da dívida desceu, pois é medido em referência ao custo de financiamento da dívida alemã, que, hoje, aumentou mais do que nos periféricos. O prémio de risco da dívida portuguesa desceu um ponto base para 296 pontos base – o equivalente a um diferencial de 2,96 pontos percentuais em relação à referência germânica.

Apesar das subidas das yields no prazo de referência, a maioria dos estados membros do euro continua a financiar-se com taxas negativas numa ampla gama de prazos, ou seja, os investidores "pagam" para deter esses títulos. Esta quinta-feira, no mercado secundário, a Alemanha registava taxas negativas até ao prazo de oito anos inclusive; a Áustria até sete anos inclusive; Bélgica, Finlândia, França e Holanda até seis anos inclusive; a Irlanda em prazos de dois e três anos; a Eslovénia a dois e quatro anos; a Espanha a 12 meses e dois anos; e a Itália a 12 meses.

  • Mario Draghi revelou na conferência de imprensa desta quinta-feira que o conselho diretivo do Banco Central Europeu reafirmou por unanimidade a necessidade da política monetária de estímulos atual. "Obedecemos à lei e não aos políticos. Somos independentes", disse o presidente do BCE