Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Estado português gastou 12,6 mil milhões com ajudas ao sector financeiro desde 2010

  • 333

Apoios ao sector financeiro somaram 1,6% do PIB no ano passado. A maior parte relacionado com Banif. Sem esta despesa, défice teria sido de 2,8%. Fatura dos últimos anos já soma quase 7% do PIB

Em apenas 6 anos, entre 2010 e 2015, o Estado gastou 12,6 mil milhões de euros com intervenções no sector financeiro. Os números fazem parte da tabela reportada ao Eurostat pelo Instituto Nacional de Estatística que, desde 2007, na sequência da crise financeira, fazem parte da informação que todos os institutos de estatísticas nacionais têm que enviar ao gabinete europeu.

Este total, que representa cerca de 7% do PIB de um ano, resulta essencialmente de três operações na banca: a nacionalização do BPN cujo maior impacto foi sentido em 2010 (mais de €2000 milhões), a intervenção no BES em 2014 que implicou a injeção de €4,9 mil milhões pelo Fundo de Resolução e, mais recentemente, a resolução e venda do Banif que teve um impacto de €2463 milhões no défice do ano passado.

A operação do Banif foi, de resto, a responsável principal por o défice português ter ficado acima da fasquia dos 3% do PIB em 2015. Tal como o INE tinha reportado no final de março e hoje foi confirmado pelo Eurostat, o défice final foi de 4,4% no ano passado e, sem a intervenção no banco, teria ficado precisamente nos 3%.

No entanto, como o Expresso hoje de manhã na edição online, o total de ajudas à banca em 2015 somou 1,6% do PIB. O que significa que, sem estes apoios, o défice teria ficado em 2,8%. Como aliás, foi sublinhado pelo próprio Eurostat em declarações ao Expresso. Estas ajudas dizem respeito, na sua maioria, aos custos da resolução do Banif.

Mas há outras parcelas, nomeadamente juros suportados que somam €527 milhões, que agravam a fatura total. Fonte oficial do INE remete qualquer explicação para o Banco de Portugal “uma vez que se trata de uma informação da sua responsabilidade”. Contactado pelo Expresso, o Banco de Portugal ainda não respondeu.