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Bolsas europeias fecham “mistas”. BCE pede “tempo” e oferece novo programa em junho

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A bolsa de Madrid liderou esta quinta-feira as subidas nas praças financeiras da Europa. Mas Amesterdão, Londres, Moscovo e Paris fecharam no vermelho e não se impressionaram com Draghi. PSI 20 em Lisboa ganhou 0,45%. Brent fixou novo máximo acima de 46 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas europeias abriram “mistas” esta quinta-feira e fecharam na mesma situação. Madrid liderou as subidas com o índice Ibex 35 a ganhar 0,75%. Do lado das subidas incluem-se, ainda, Frankfurt, Milão e Lisboa, com ganhos inferiores. No vermelho encerraram Amesterdão, Londres, Moscovo e Paris. O índice RTSI da bolsa moscovita liderou as quedas perdendo 1,7%.

Em termos globais, as bolsas europeias perderam 0,69% esta quinta-feira, segundo o índice MSCI respetivo. Fecharam no vermelho depois de três sessões com ganhos esta semana. A Ásia Pacífico fechou com uma subida de 1,26% do índice MSCI respetivo, graças a ganhos de mais de 2% em Tóquio e 1,75% em Hong Kong, que contrabalançaram as perdas na China.

À hora de fecho da sessão europeia, Nova Iorque negociava em terreno negativo, com os três principais índices – Dow Jones 30, S&P 500 e Nasdaq - a registarem perdas.

O PSI 20 na bolsa de Lisboa ganhou 0,45%, com o BCP a liderar as subidas com as ações a valorizarem 3,2%. Do lado das perdas, Mota-Engil e BPI lideraram as quedas, com descidas de 2,2% e 1,8% respetivamente.

Falta de entusiasmo com crude e Draghi

As bolsas do Velho Continente não se entusiasmaram com a trajetória altista do preço do barril de petróleo de Brent que fixou novo máximo ao início da tarde na Europa cotando-se em 46,18 dólares. Aquando do fecho da sessão europeia, o preço desceu para 45,18 dólares, ligeiramente abaixo do fecho no dia anterior. O dia está a ser marcado por volatilidade com variações entre 44,68 e 46,18 dólares e com preços acima de 46 dólares no período final da sessão asiática e depois ao início da tarde na Europa.

Os investidores também não se entusiasmaram com as declarações de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), que pediu mais “tempo” para que os resultados positivos dos estímulos monetários se sintam plenamente, mas os analistas dizem que os mercados financeiros parecem não ter a paciência pedida. Draghi anunciou, ainda, que a partir de junho arranca um programa de compra, por parte de seis bancos centrais do eurosistema, de títulos denominados em euros e com rating de investimento (não especulativo), com maturidades entre seis meses e 30 anos, emitidos por entidades empresariais da zona euro.

O presidente do BCE não avançou sinais de mais medidas de estímulos monetários no horizonte e negou que uma modalidade de “dinheiro de helicóptero” (transferências diretas para o sector privado das famílias e empresas) tenha sido sequer discutida pelo conselho, nem em março nem agora. Em junho arrancam o novo programa de compra de títulos empresariais nos mercados primário (de emissão) e secundário e a nova linha de financiamento direcionado para os bancos, designada por TLTRO II, que poderá emprestar a juros negativos. Até 15 de abril, o BCE adquiriu no mercado secundário dívida obrigacionista de estados membros do euro totalizando 689 mil milhões de euros, incluindo 14,84 mil milhões de euros de obrigações portuguesas, um volume de compras superior ao de obrigações finlandesas e irlandesas.

  • O Banco Central Europeu divulgou esta quinta-feira os contornos do novo programa de compras de dívida que vai estar a cargo de seis bancos centrais nacionais coordenados por Frankfurt. Banco de Espanha estará envolvido

  • Mario Draghi revelou na conferência de imprensa desta quinta-feira que o conselho diretivo do Banco Central Europeu reafirmou por unanimidade a necessidade da política monetária de estímulos atual. "Obedecemos à lei e não aos políticos. Somos independentes", disse o presidente do BCE