Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Preço do petróleo cai 2% com fim da greve no Kuwait

  • 333

MIKHAIL MORDASOV/GETTY

A confederação sindical do sector petrolífero do emirado cancelou a greve que durava desde domingo e reduzira a produção diária para metade na terça-feira. Preço do barril de Brent abriu esta quarta-feira em queda e já está a cotar-se abaixo de 43 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

A greve no sector petrolífero do Kuwait terminou esta quarta-feira. “Em honra do emir”, os trabalhadores cidadãos do emirado (os imigrantes não estavam em greve) regressaram ao trabalho esta quarta-feira com o objetivo de “fazer recuperar a produção para o nível anterior [de cerca de 3 mil milhões de barris diários em média]”. A greve durava desde domingo e reduzira a produção diária do emirado para metade e a refinação em 43% na terça-feira. O governo considerou “ilegal” o movimento que abrangeu mais de 13 mil funcionários e recusara-se a negociar com os grevistas enquanto estivessem em paralisação. Os trabalhadores protestam contra a austeridade anunciada para o sector público, que abrange a empresa pública Kuwait National Petroleum Company, e contra a intenção de privatizar partes da companhia.

O anúncio do cancelamento da greve provocou uma abertura em baixa do preço do crude esta quarta-feira. Pela 1h (hora de Portugal), o preço do barril de Brent abriu em 43,41 dólares abaixo do fecho de terça-feira em 43,80 dólares. Pelas 7h (hora de Portugal), a cotação desceu para 42,92 dólares, uma queda de 2%, que já anulou a subida de 2% verificada no dia anterior.

Com o fracasso no domingo da iniciativa de Doha entre membros do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e não membros, como a Rússia e o México, esperava-se um trambolhão no preço do petróleo que não se verificou devido à greve no Kuwait. Mas a greve alimentou a continuação de uma subida do preço na ordem de 2% e os analistas da Energy Aspects esperavam ontem que ela durasse entre 10 a 15 dias, pressionando o preço do crude em alta.

Entretanto, em Moscovo, o ministro-adjunto da Energia, Kirill Molodtsov, admitiu, ontem, que a Rússia poderá aumentar a produção diária em 100 mil barris atingindo um nível de 10 milhões e 800 mil barris diários.

A alta do preço do petróleo provocou um movimento altista nas bolsas mundiais no início desta semana. O índice mundial MSCI subiu 0,22% na segunda-feira e 1,77% na terça-feira. Ontem, a Europa fechou a ganhar quase 2% e a Ásia Pacífico cerca de 1,8%. Os melhores desempenhos registaram-se em Tóquio e Moscovo, cujos principais índices avançaram mais de 3%, e em Frankfurt, com o Dax alemão a ganhar 2,3%. O pior desempenho verificou-se em Nova Iorque que fechou a ganhar ligeiramente 0,29% com o índice Nasdaq da bolsa das tecnológicas a perder 0,4%.

  • A greve no sector petrolífero no Kuwait está a retirar diariamente do mercado 1,7 milhões de barris e a anular o pessimismo saído do fracasso da reunião de Doha. Preço do barril de Brent está esta terça-feira acima do valor de fecho na semana passada. Tóquio liderou subidas nas bolsas asiáticas