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Credores do “Diário Económico” reclamam mais de €8 milhões

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Lista provisória de credores da editora do “Económico” é composta maioritariamente por funcionários do jornal do grupo Ongoing. Segurança Social, com mais de €3 milhões, e Novo Banco, com €1,2 milhões, têm os créditos mais avultados

A editora do jornal "Diário Económico" – a S.T.&S.F., do universo do grupo Ongoing – acumulou cerca de €8,3 milhões em dívidas a trabalhadores, fornecedores, bancos e segurança social. A lista provisória de credores compilada pela administradora do processo especial de revitalização (PER) da empresa identificou 192 credores, pertencendo ao Instituto de Segurança Social e ao Novo Banco os maiores montantes reclamados: €3,2 milhões no caso da Segurança Social e €1,2 milhões por parte do banco que resultou da implosão do BES.

Entre os principais credores da empresa neste PER encontram-se ainda fornecedores e prestadores de serviços como a EDP, com créditos na ordem dos €300 mil, a Esegur, (€103 mil) a Companhia Portuguesa de Informática Finanças e Organização (€382 mil) ou a Agência Lusa (€52 mil).

A esmagadora maioria dos créditos reconhecidos nesta lista provisória, a que o Expresso teve acesso, pertencem, no entanto, a mais de uma centena de atuais e antigos funcionários do "Diário Económico", que reclamam o pagamento de vários meses de remunerações e subsídios em atraso, aos quais acrescem, nalguns casos, o pagamento de indemnizações.

Fora da listagem de credores da empresa ficaram ainda os trabalhadores e fornecedores da Económico TV, cujo vínculo contratual está ligado à empresa Económico TV – New Media SA.

Na origem do PER da S.T.&S.F. estiveram os graves problemas financeiros que a empresa começou a atravessar a partir de 2014, na sequência da 'implosão' da casa mãe do grupo, a Ongoing Strategy Investments, de Nuno Vasconcellos – empresa que também deu entrada com um PER no início de março e cuja lista de créditos reclamados supera os €1,2 mil milhões.

No caso da ST&SF, os últimos dados públicos da empresa são de 2014 e apontavam para um passivo na ordem dos €28,9 milhões. Paralelamente ao avolumar do passivo da empresa, a editora viu fracassadas entre 2015 e 2016 todas as negociações que teve em curso para tentar encontrar um investidor ou comprador que assegurasse a viabilidade do "Diário Económico".

Depois de ter entrado com um pedido de PER no tribunal, a administração da S.T. & S.F. decidiu pedir a conversão desse PER numa insolvência, por entender que esse seria "o quadro legal que melhor protege os interesses dos trabalhadores" do jornal. A decisão foi comunicada aos trabalhadores ocorreu no dia 18 de março, data em que o "Económico" publicou a última edição impressa do jornal e em que passou a ter a sua marca ativa apenas na edição online e no canal ETV.

Na sequência desse pedido de insolvência, de resto, a administradora do PER da ST&SF informou o tribunal da "inutilidade" de publicitar no portal Citius a lista provisória de credores. Numa nota com a data de 18 de abril e hoje publicada neste portal, o tribunal informa que "tendo a devedora [a ST&SF] concluído antecipadamente não ser possível alcançar acordo com os credores nos presentes autos, cumprir concluir estar o processo negocial encerrado e consequentemente declarar encerrado o processo de revitalização", refere a nota do tribunal, que pede a extração de certidão deste processo a fim de ser depois distribuído "como processo de insolvência de pessoa colectiva".

[notícia atualizada às 16h35, com informação da nota publicada esta tarde no Citius]