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Medina Carreira: “BPI ganhará consistência. Agora, se me perguntar se o país sai a ganhar mais ou menos ou se sai a perder, já não sei”

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Tiago Miranda

Perder a banca é uma “chatice”, diz Medina Carreira, sublinhando que a preocupação é maior porque “já é a última coisa que nos resta”. O antigo governante diz que aprovação “relâmpago” do decreto para a desblindagem dos estatutos dos bancos é um “embaraço”

Quem corre riscos com a Oferta Pública de Aquisição (OPA) do CaixaBank sobre o BPI? "Para o BPI não vejo risco nenhum. Um dos atuais sócios ficará mais sócio, ficará mais forte. (...) Até creio que o BPI ganhará consistência. E também acredito que ganhará por deixar de haver divisões internas. Agora, se me perguntar se o país sai a ganhar mais ou menos ou se sai a perder, já não lhe sei dizer", diz Medina Carreira em entrevista ao "Diário de Notícias" esta terça-feira.

O antigo governante refere que a aprovação "relâmpago" do decreto para a desblindagem dos estatutos dos bancos, a pensar no caso do BPI, é um "embaraço". Ainda assim, não vê nenhuma teoria cabalística nessa situação. "Não acredito que tenha sido feito a pensar 'isto é para ser aplicado só ao BPI'. Não vejo nada que seja para beneficiar ou prejudicar quem quer que seja", defende.

A maior preocupação de Medina Carreira é, sim, o Estado estar a "gastar aquilo que não tem". "O Estado tomou compromissos para os quais não tem dinheiro e a economia não produz o suficiente. Estes são todos problemas muito chatos, sérios ou mais ou menos sérios, mas o maior problema é o Estado gastar o que não tem", afirma.

Quanto à "espanholização da banca", Medina Carreira diz temer essa possibilidade, "porque hoje Portugal tem uma dimensão muito pequena". "O Estado não tem poderes perante praticamente ninguém e já perdemos tudo. E quando não temos nada, exigem-nos tudo." Perder a banca é uma "chatice", justifica, sublinhando que a preocupação é maior porque "já é a última coisa que nos resta".