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Manifesto “antiespanholização” morreu

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Ainda poderá surgir um documento que reflita as preocupações de empresários e gestores sobre o sector financeiro

O manifesto “antiespanholização” da banca — que estava previsto ser divulgado esta semana — já não vai existir mas em seu lugar ainda poderá aparecer um documento que alerte para a situação da banca em Portugal. Assim, em vez da versão expectável contra o peso dos capitais espanhóis, não está posta de parte a criação de um documento mais genérico.

Todo o processo da redação do manifesto ficou envolto em secretismo e algumas contradições. Nomeadamente o facto de não se saber quem estava a liderar este movimento.

Alexandre Patrício Gouveia, que foi um dos nomes inicialmente apontados para este grupo de gestores, empresários e economistas, afastou-se totalmente do processo. E João Salgueiro, que surgiu como um dos promotores deste manifesto contra a “espanholização da banca portuguesa”, também já tinha descartado qualquer intervenção num documento que colocasse em causa o reforço das posições da banca espanhola em Portugal — o que aconteceu na sequência da recente compra de parte do Banif pelo Santander e da hipótese de o La Caixa, maior acionista do BPI, com 44,1%, passar a controlar o banco liderado por Fernando Ulrich.

Contactado pelo Expresso, João Salgueiro diz ter conhecimento de que ainda há conversas sobre um manifesto relativo à situação do sector financeiro e admite vir a assiná-lo se este refletir as suas preocupações, nomeadamente sobre a forma como o dossiê da resolução do Banif foi tratado. Mas não identifica qualquer participante nessas conversas que ainda estarão em curso.

O economista, ex-presidente da CGD e da Associação Portuguesa de Bancos, recorda o que foi dito esta semana [9 de abril] pela ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, de que foi inesperadamente reduzido o prazo para encontrar uma solução para o Banif. Salgueiro defende que o tema deve ser discutido. Mas se será sob a forma de um manifesto ou por outra forma, ainda não se sabe.

A possibilidade de a propriedade das instituições financeiras portuguesas passar para outras mãos tem estado muito presente por causa da venda do Novo Banco, dos conflitos acionistas no BPI entre o La Caixa e a investidora angolana Isabel dos Santos e ainda pela possibilidade de haver mudanças acionistas relevantes no BCP.

[Texto publicado no caderno de Economia do semanário Expresso, de 9 de abril]