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Emigrantes lesados do BES mantêm protesto em Paris no Dia de Portugal

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Reunião com António Costa “correu bem”, mas a associação dos emigrantes lesados do BES mantém apelo a uma manifestação em Paris, durante as comemorações do 10 de Junho, que serão presididas por Marcelo Rebelo de Sousa

A reunião dos dirigentes da Associação Movimento dos Emigrantes Lesados do BES (AMELP), esta segunda-feira, na Embaixada de Portugal em França, com o primeiro-ministro António Costa foi discreta mas “correu bem”, diz ao Expresso Helena Batista, vice-presidente da AMELP.

“António Costa está sensibilizado para o nosso problema, disse que a solução sobre este caso dos emigrantes lesados não depende só dele, mas vai nomear um representante do Governo para tentar satisfazer o nosso pedido, que é tentar trazer à mesa das negociações as entidades envolvidas, o Novo Banco e o Banco de Portugal”, explica Helena Batista.

“Ele não nos pediu para desmarcarmos as manifestações previstas, em Paris, a 24 de maio e a 10 de junho que, aliás, não são contra o Governo nem contra o Presidente Marcelo. Queremos é sensibilizá-los e que eles nos ajudem. As manifestações são contra o Novo Banco e o Banco de Portugal e quero sublinhar que algo vai muito mal num país onde é mais fácil fazer uma reunião com o PM ou o PR do que com um gestor de um banco”, acrescenta a dirigente da AMELP.

Esta associação, que já organizou nos últimos meses diversas manifestações muito concorridas em Paris, defende cerca de oito mil emigrantes lesados do BES (quatro mil deles residentes em França) que, no conjunto, perderam mais de 700 milhões de euros com a falência do banco.

A AMELP contesta o memorando de entendimento assinado recentemente em Lisboa pelo Governo e representantes da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários, do Banco de Portugal, da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial e do Banco Espírito Santo. “Este memorando não tem nada a ver com os emigrantes lesados e queremos é que o Governo traga o Novo Banco e não o BES, o ‘banco mau’, à mesa das negociações com os emigrantes”, afirma Helena Batista.

António Costa esteve em Paris esta segunda-feira, onde além de uma reunião com o seu homólogo francês Manuel Valls e com a AMELP participou na inauguração de uma exposição retrospetiva de Amadeo Souza-Cardoso nas galerias do Grand Palais, integrada nas celebrações dos 50 anos da delegação da Fundação Calouste Gulbenkian na capital francesa.

Costa esteve igualmente na Casa de Portugal – André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, onde assistiu à inauguração de duas novas salas da residência estudantil, as salas Fernando Pessoa e Vieira da Silva.

“A nossa luta é pela dignidade das famílias enganadas e roubadas pelo BES e não vai parar até conseguirmos obter satisfação para as nossas reivindicações”, conclui Helena Batista.