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Berlim quer um alemão à frente do BCE… a partir de 2019

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Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças alemão, à conversa com Mario Draghi

EMMANUEL DUNAND / AFP / Getty Images

Quando o mandato de Mario Draghi terminar, a Alemanha quer “um alemão dentro da tradição de estabilidade da moeda do Bundesbank” para sucessor, disse ex-ministro de Merkel ao jornal “Bild”. Esta quinta-feira há reunião do Banco Central Europeu

Jorge Nascimento Rodrigues

“As políticas de Mario Draghi abalaram seriamente a credibilidade do Banco Central Europeu (BCE)”, sublinhou na segunda-feira ao jornal alemão “Bild” Hans-Peter Friedrich, que é vice-presidente do grupo parlamentar da CDU/CSU no Bundestag (Parlamento). Foi ministro do Interior e depois por dois meses ministro da Nutrição, Agricultura e Defesa do Consumidor do terceiro governo da chanceler Angela Merkel tendo-se demitido em fevereiro de 2014. É deputado pela União Social-Cristã da Baviera, partido irmão da CDU de Merkel. Quando se colocar a sucessão, em 2019, o novo presidente do BCE deverá “ser um alemão que partilhe a tradição de estabilidade da moeda do Bundesbank [o banco central alemão]”, acrescentou nas declarações ao “Bild”.

As declarações de mais um crítico alemão surgem na semana em que o BCE realiza em Frankfurt a reunião para debater a política monetária. A equipa de Mario Draghi reúne-se na quinta-feira, mais de um mês depois de ter adotado um pacote de mais estímulos monetários que polarizou a discussão interna.

Recentemente, um coro de críticas levantou-se na Alemanha contra a política de estímulos monetários crescente e sucessiva que Draghi, o italiano que preside ao banco central desde 2011, tem feito aprovar. No foco da rebelião alemã tem estado a evolução para taxas negativas na remuneração de depósitos bancários nos cofres do BCE. O próprio ministro das Finanças alemão foi uma das vozes críticas. Wolfgang Schäuble voltou a criticar as opções por políticas macroeconómicas expansivas, incluindo as monetárias, durante a reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional que terminou no domingo em Washington.

No passado, Berlim tinha evitado criticar explicitamente o BCE. O coro de críticas obrigou o próprio presidente do Bundesbank a vir, em entrevista no “Financial Times”, em defesa da independência da equipa de Draghi e a considerar que a política “expansionista” é justificada, ainda que se possa discordar – como foi o caso de Jens Weidmann na última reunião de março – da opção por certos instrumentos.

O BCE nunca teve um presidente alemão. O primeiro presidente nomeado em 1998 foi o holandês Win Duisenberg, a quem sucedeu o francês Jean-Claude Trichet a partir de 2003 até 2011, quando foi substituído pelo italiano Mario Draghi, tendo-se afastado da corrida o alemão Axel Weber, que se demitiu em divergência aberta para ingressar no UBS.

  • O Comité Financeiro e Monetário do FMI quer o uso flexível da política orçamental e a continuação da política monetária de estímulos. O ministro das Finanças alemão contrapõe que os impactos negativos das políticas expansionistas são cada vez mais visíveis. Posições divergentes este sábado em Washington na ponta final da reunião de Primavera do FMI