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Argentina colocou $16,5 mil milhões e paga aos fundos abutre na sexta-feira

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Face a uma procura de quase 70 mil milhões de dólares, o Tesouro argentino resolveu subir o montante da emissão de dívida em quatro prazos. 65% dos investidores são provenientes dos EUA. Dia 22, Buenos Aires paga 10,5 mil milhões a credores que recusaram as reestruturações de dívida

Jorge Nascimento Rodrigues

O Tesouro argentino terminou esta terça-feira a operação sindicada de colocação de dívida obrigacionista em quatro prazos resolvendo subir a emissão dos 15 mil milhões de dólares (um pouco mais de 13 mil milhões de euros) previstos inicialmente para 16,5 mil milhões de dólares (cerca de 14,5 mil milhões de euros).

Um dos objetivos da emissão é financiar o pagamento de dívidas a credores que não aceitaram as reestruturações de dívida do passado (tecnicamente referidos como holdouts), entre eles os designados fundos abutre que haviam ganho processos nos tribunais de Nova Iorque contra o Estado argentino no tempo da anterior presidência de Cristina Fernández de Kirchner. Buenos Aires deverá pagar 10,5 mil milhões de dólares a estes credores na próxima sexta-feira. Com essa operação, o novo governo do presidente Mauricio Macri pretende retirar a Argentina da situação de “incumprimento seletivo” em que tem estado desde o verão de 2014.

Buenos Aires resolveu subir o próprio montante da operação face a uma procura recorde de 67 mil milhões de dólares registada. O ministro das Finanças e do Tesouro, Alfonso Prat-Gay, confirmou que foi “a procura mais elevada da história argentina e está provavelmente entre as 20 maiores da história”, não deixando de sublinhar, também, que “para um país que está em default é incrível”. Referiu que estão envolvidos 230 acordos com holdouts.

Segundo o jornal “La Nación”, a distribuição da emissão foi a seguinte: 2,75 mil milhões de dólares a 3 anos pagando 6,25%; 4,5 mil milhões a 5 anos pagando 6,875%; 6,5 mil milhões, a maior fatia, a 10 anos pagando 7,5%; e 2,75 mil milhões a 30 anos pagando 8%. Geograficamente, 65% dos investidores foram provenientes dos EUA; 14% do Reino Unido; 8% do resto da Europa; 6% da América Latina; e 7% da Ásia e Austrália.