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Preço do petróleo não dá trambolhão. Bolsas ocidentais fecham a subir

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Mario Tama/GETTY

O fracasso das negociações de Doha no domingo provocou um choque inicial nos preços do barril e nas bolsas asiáticas. Mas as bolsas europeias e em Nova Iorque acabaram por recuperar e o preço do Brent fechou praticamente no preço de sexta-feira passada

Jorge Nascimento Rodrigues

Os analistas estiveram atentos esta segunda-feira ao comportamento do mercado petrolífero depois do fracasso da iniciativa de Doha no domingo. Mas o trambolhão inicial no preço do barril de crude não perdurou. E as bolsas da Europa e de Nova Iorque acabaram por não seguir a trajetória de perdas na Ásia, cujo índice MSCI respetivo recuou 1,48%. O conjunto das bolsas mundiais ganhou esta segunda-feira 0,22%, segundo o índice MSCI global, puxado por avanços de 0,68% e 0,64% nos índices para a Europa e Estados Unidos respetivamente.

Depois de uma queda inicial de 5,2% na abertura do mercado petrolífero na segunda-feira (ainda madrugada na Europa), o preço do barril de petróleo de Brent acabaria por fechar num valor praticamente idêntico ao de sexta-feira passada, antes da reunião de Doha. O preço do Brent encerrou perto de 43 dólares pelas 21h30 (hora de Portugal), um valor ligeiramente abaixo dos 43,10 dólares registados a 15 de abril. A amplitude de variação ao longo do dia foi significativa, entre um mínimo de 40,58 dólares na abertura da sessão asiática e 43,40 dólares na sessão norte-americana.

A reunião de domingo em Doha acabou por fracassar quanto a um acordo para o congelamento da produção por parte de 17 exportadores, incluindo 11 do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seis não membros, entre eles a Rússia e o México. Os participantes agendaram uma nova reunião para junho.

O que anulou o choque

Os analistas esperavam, por isso, um trambolhão do preço neste primeiro dia após o fracasso. O choque negativo acabou por registar-se no início da negociação, mas depois o preço recuperou. Uma greve no Kuwait e expetativas de aumento das importações por parte da China e da Índia contrariaram o pessimismo inicial.

Uma greve desde domingo dos trabalhadores do sector petrolífero do Kuwait contra as reformas no sector público cortou em 1,7 milhões de barris por dia a produção do país, o que está a provocar uma redução significativa no excedente diário mundial de crude. O governo procura mobilizar reformados do sector e voluntários para furar a greve e colocar em marcha um plano de contingência que reponha a média de produção diária de 3 milhões de barris.

Um analista do Barclay’s avançou esta segunda-feira que a China aumentará este ano a importação de crude em 1,3 milhões de barris por dia, o que reduzirá substancialmente o excedente existente no mercado petrolífero, que tem pressionado em baixa os preços. Além disso, os analistas têm sublinhado o aumento da procura por parte da Índia que deverá registar um crescimento do PIB de 7,5%, tendo sido a “estrela” nas previsões de Primavera do Fundo Monetário Internacional, cuja reunião conjunta com o Banco Mundial terminou no domingo em Washington.

Europa e Wall Street com ganhos

As bolsas que têm registado alguma correlação positiva com a evolução do mercado petrolífero acabaram por recuperar na Europa e em Nova Iorque. Wall Street fechou com ganhos na ordem de 0,6% e, no Velho Continente, Frankfurt liderou as subidas nas principais praças financeiras com o índice Dax a avançar 0,68%.

A Bolsa de Lisboa manteve-se em terreno negativo. O índice PSI 20 perdeu 0,94% esta segunda-feira, com as ações do BCP a liderarem as quedas registando uma perda de 5,6%.