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BPI. “Só espero que o país e os depositantes não sejam prejudicados”

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Acionista fundador e administrador do BPI, Alfredo Rezende de Almeida (ex-Arco Têxteis) diz que não vende ao preço oferecido pelo CaixaBank. E lamenta que a Santoro, de Isabel dos Santos, tenha retaliado

Alfredo Rezende de Almeida, acionista fundador e administrador do BPI, está triste e desolado com a “inesperada tempestade” que se abateu sobre o banco.

Um negócio bancário tornou-se "num processo jurídico e político” e isso é sempre um “mau sinal”. “Só espero que o país e os depositantes do banco não sejam pejudicados com esta confrontação”, acrescenta.

Só vende quem quiser

Alfredo Rezende de Almeida, 81 anos, chegou a ter mais de 2% do BPI, na altura em que a sua empresa Arco-Têxteis, entretando falida por decisão da banca (o BPI votou a favor da viabilização), era igualmente acionista. Agora, conserva uma “posição interessante” , mas inferior a 1%.

Ao preço (1,113 euros) que o CaixaBank oferece na Oferta Pública de Aquisição (OPA) que esta segunda-feira anunciou não está vendedor. “Só vende quem quiser, a OPA é facultativa e não obrigatória. Por mim, nem ao preço da anterior OPA (1,33 euros) venderia”, acrescenta.

O investidor realça que o preço não é tudo e que neste caso há “fatores sentimentais” que pesam na sua avaliação. E, se o BPI tiver uma dispersação razoável em bolsa, fica confortável com uma liderança do banco catalão.

Santoro retaliou

Na sua leitura, a operação do Caixabank é uma “forma de pressão” sobre a Santoro, de Isabel dos Santos. Rezende de Almeida classifica de “lamentável a confrontação que se gerou”, culpando a Santoro pelo “ato de retaliação”, em reposta a decisões desfavoráveis do Banco de Portugal.

Um outro motivo de desalento deve-se à evolução deste processo, “em que tudo é decidido por uma cúpula de dois acionistas, sem que os restantes possam interferir”.

Rezende de Almeida reconhece que “a informação é ainda escassa e que muita coisa terá ainda de vir a lume”. O que vai acontecer no BFA é um dos principais enigmas. “É natural que o governo de Angola não fique indiferente ao que se está a passar, mas não se sabe qual será a reação”, adverte.

Alfredo Rezende de Almeida é um dos sobreviventes do núcleo português fundador do BPI, tal como as famílias Violas (2,8%), Jervell (1,6%) e Leite de Pinho, da Arsopi (2,1%). Todos estes acionistas estão representados no Conselho de Administração e permanecem amigos. Mas, cada um decide do destino da participação pela sua cabeça, em função da sua avaliação pessoal.